Apesar dos benefícios observados, o mel não substitui medicamentos nem tratamentos para diabetes ou colesterol alto. (Foto: Shutterstock)
O mel costuma ser visto como uma alternativa mais natural ao açúcar refinado, mas será que ele realmente ajuda a controlar a glicose e o colesterol? Uma revisão de estudos científicos sugere que a substituição do açúcar branco pelo mel pode gerar melhorias discretas em alguns marcadores de saúde. No entanto, os próprios pesquisadores alertam que os resultados são modestos e não substituem tratamentos médicos. Continue a leitura para entender o que a ciência descobriu.
O que a pesquisa descobriu sobre o consumo de mel?
Pesquisadores da Universidade de Toronto e do Hospital St. Michael revisaram 18 ensaios clínicos controlados envolvendo 1.105 participantes, a maioria adultos saudáveis. Nos estudos, o consumo médio foi de aproximadamente 40 g de mel por dia, o equivalente a cerca de 2 colheres (sopa), durante um período de oito semanas.
Os resultados, publicados na revista científica Nutrition, apontaram pequenas melhorias em alguns indicadores metabólicos.
Quais benefícios foram observados?
Os pesquisadores identificaram reduções modestas em alguns fatores associados à saúde cardiovascular e ao metabolismo.
Entre os principais resultados estão:
- Pequena redução da glicemia em jejum;
- Diminuição do colesterol total;
- Redução do colesterol LDL, conhecido como colesterol "ruim";
- Queda nos níveis de triglicerídeos;
- Leve aumento do colesterol HDL, considerado o colesterol "bom".
A redução média da glicemia em jejum foi de aproximadamente 3,6 mg/dL, enquanto o colesterol LDL diminuiu cerca de 6 mg/dL.
Os autores destacam, porém, que essas mudanças foram discretas.
O tipo de mel faz diferença?
Segundo a revisão científica, sim.
Mel cru apresentou melhores resultados
Os efeitos mais positivos foram observados com o mel cru, não processado, e também com o mel de acácia, conhecido comercialmente como mel de robínia.
Os pesquisadores acreditam que o processamento e o aquecimento podem reduzir parte das enzimas e compostos bioativos naturalmente presentes no alimento.
Mesmo assim, eles ressaltam que ainda são necessários novos estudos para confirmar esses efeitos com maior segurança.
O segredo está na substituição, não no acréscimo
Esse é o ponto mais importante destacado pelos cientistas.
Os benefícios apareceram quando o mel substituiu o açúcar refinado ou xaropes adoçados dentro de uma alimentação equilibrada.
Adicionar mel sem retirar o açúcar não traz vantagem
Quando o mel é consumido além de outras fontes de açúcar, o resultado é apenas um aumento na ingestão de açúcares e calorias.
Por isso, o estudo não recomenda que todas as pessoas consumam 40 g de mel diariamente. Essa foi apenas a quantidade utilizada, em média, nas pesquisas analisadas.
O mel pode substituir o tratamento para diabetes ou colesterol?
A resposta é não. Os autores deixam claro que o mel não deve ser considerado um tratamento para diabetes, colesterol alto ou outras doenças metabólicas.
Além disso, o nível de certeza das evidências foi considerado baixo para a maior parte dos resultados observados, o que significa que novas pesquisas ainda são necessárias.
Para quem precisa controlar a glicemia ou o colesterol, o acompanhamento médico e o tratamento indicado continuam sendo fundamentais.
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