Cuidar da saúde mental é também cuidar do aparelho digestivo. (créditos: Shutterstock)
Setembro é um mês importante para a conscientização sobre a saúde mental. E você sabia que a alimentação tem um papel fundamental nas nossas emoções? O que comemos ou bebemos pode tanto aumentar quanto aliviar sentimentos como estresse e ansiedade. Uma das grandes descobertas da ciência é o papel do intestino nessa relação.
Além de responsável pela digestão, o órgão está diretamente ligado à saúde do nosso cérebro e pode até indicar quando algo não vai bem na mente. Para entender melhor como os desequilíbrios intestinais impactam o humor, conversamos com o Dr. Rodrigo Barbosa, cirurgião do aparelho digestivo, que explica essa conexão e reforça a importância de cuidar do corpo para preservar a mente.
Microbiota intestinal e saúde mental: a conexão entre intestino e cérebro
O intestino desempenha um papel fundamental na produção de neurotransmissores responsáveis pelo equilíbrio emocional. “É nele que são produzidos neurotransmissores como a serotonina, essencial para o bem-estar”, explica o cirurgião Dr. Rodrigo Barbosa. Alterações emocionais, como estresse ou ansiedade, podem afetar diretamente a função intestinal. “E o contrário também ocorre. Desequilíbrios no intestino impactam o humor e a saúde mental.”, explica o médico.
Segundo o médico, o aparelho digestivo está entre os sistemas mais sensíveis às emoções e muitas vezes reflete nosso estado emocional. Problemas como dor de estômago, refluxo ou intestino preso podem ser sinais de que algo não vai bem emocionalmente. Por isso, cuidar da saúde intestinal é essencial para manter o equilíbrio da mente. Um intestino saudável pode ser um importante aliado para uma mente mais leve e estável.
“É importante entender que dores ou alterações persistentes não devem ser ignoradas ou tratadas apenas como sintomas físicos. Muitas vezes, eles revelam que existe um sofrimento emocional que precisa de acompanhamento médico e psicológico”, reforça o médico.
4 problemas gastrointestinais influenciados pelas emoções
Os impactos das emoções na saúde digestiva são cada vez mais evidentes na prática clínica. Entre os principais sinais de sofrimento emocional no sistema digestivo, o Dr. Rodrigo destaca:
Intestino preso ou diarreia recorrente
A ansiedade e o estresse liberam hormônios como o cortisol e a adrenalina, que interferem diretamente no trânsito intestinal. Isso pode causar tanto diarreia quanto constipação. “Pessoas sob pressão intensa muitas vezes relatam alternância entre os dois quadros, o que afeta diretamente a qualidade de vida”, afirma o cirurgião do aparelho digestivo Dr. Rodrigo Barbosa.
Refluxo e azia
A tensão emocional também pode estimular a produção excessiva de ácido no estômago e aumentar a sensibilidade do esôfago. “O resultado é a sensação de queimação ou refluxo ácido, que tende a piorar em pessoas ansiosas, especialmente durante períodos de estresse no trabalho, preocupações financeiras ou conflitos pessoais”, explica o médico.
Síndrome do intestino irritável
Essa condição crônica é uma das doenças que mais demonstram a ligação entre cérebro e intestino. Caracterizada por dores abdominais, gases, diarreia e/ou constipação, a síndrome do intestino irritável costuma ser agravada por fatores emocionais.
“Estudos indicam que até 70% dos pacientes apresentam algum histórico de sofrimento emocional”, destaca Dr. Rodrigo. Ansiedade, estresse e episódios de depressão são gatilhos frequentes para o agravamento do quadro.
Compulsão alimentar ou falta de apetite
As emoções influenciam diretamente a forma como nos relacionamos com a comida. Em quadros de depressão, é comum a perda de apetite e do interesse pela alimentação, o que pode levar ao emagrecimento e deficiências nutricionais.
Já a ansiedade costuma provocar episódios de compulsão alimentar, especialmente por alimentos calóricos, ricos em açúcar e gordura, em busca de um “alívio imediato”. “Ambos os extremos sinalizam que a saúde emocional precisa de atenção”, alerta o Dr. Rodrigo Barbosa.
*Este conteúdo contou com a participação do médico e cirurgião dos hospitais Sírio-Libanês e Nove de Julho, Dr. Rodrigo Barbosa.
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