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Queijo mais fedorento do mundo, com cheiro forte que lembra chulé, é tão cremoso e saboroso que recebeu o título de "rei dos queijos"
Adriana DouglasPor  Adriana Douglas

Queijo francês que quase desapareceu ao longo do tempo tem um aroma característico que faz muita gente desistir de prová-lo

Queijo mais fedorento do mundo, com cheiro forte que lembra chulé, é tão cremoso e saboroso que recebeu o título de "rei dos queijos"

Queijo Époisses é típico da região da Borgonha, na França (Créditos: Shutterstock)

Reconhecido antes mesmo de chegar à mesa, o Époisses é o tipo de queijo que provoca reações imediatas. Seu aroma intenso, frequentemente comparado a chulé, faz muita gente torcer o nariz. Ainda assim, basta uma fatia para entender por que ele é considerado um dos queijos mais saborosos do mundo.

Um queijo de cheiro marcante e sabor surpreendente

Com casca úmida em tons que variam do marfim ao laranja-avermelhado, o Époisses é um queijo francês tradicionalmente produzido na região da Borgonha, no centro-leste da França. Seu cheiro é pungente, mas o interior entrega uma textura extremamente macia, que chega a derreter em temperatura ambiente, e um sabor equilibrado, levemente adocicado, com notas que lembram frutas secas. Essa combinação inusitada encanta chefs e especialistas, mesmo ele figurando entre os queijos mais fedorentos do planeta.

Embora muita gente acredite que o Époisses seja realmente o queijo com aroma mais desagradável que existe, na verdade, ele divide esse “título” curioso com outros exemplares, como o francês Vieux-Boulogne, o escocês Minger e o Limburger, produzido na Bélgica. Apesar de terem o mau cheiro como ponto em comum, cada um apresenta características únicas (e sabores incrivelmente agradáveis).

O segredo está na maturação com destilado da região

Produzido com leite integral de vacas de raças locais, o Époisses passa por um processo de fabricação cuidadoso e lento. Após a coagulação, a massa é moldada e segue para a maturação em caves frescas e úmidas por, no mínimo, quatro semanas. Durante esse período, o queijo é lavado regularmente à mão com uma solução que leva Marc de Bourgogne, um destilado de uvas típico da mesma região.

Esse ritual é o grande responsável pelo aroma marcante e pela cor intensa da casca: o tom alaranjado surge naturalmente a partir da ação de bactérias presentes na superfície do queijo – e não tem relação nenhuma com corantes artificiais.

Um quase esquecido que virou patrimônio

O nome Époisses vem de uma pequena vila da Borgonha, onde a receita surgiu ainda no século 16, dentro de uma comunidade religiosa. Ao longo dos séculos, o preparo passou para os agricultores da região, que transformaram o queijo em um verdadeiro símbolo local. Não por acaso, o gastrônomo francês Brillat-Savarin eternizou a fama do Époisses ao chamá-lo de “rei dos queijos”.

Apesar do sucesso no século 19, sua produção quase desapareceu após as guerras. Foi apenas na década de 1950 que apaixonados pela tradição queijeira conseguiram resgatar a receita. E o reconhecimento veio oficialmente em 1996, com a concessão da AOP (Denominação de Origem Protegida), garantindo autenticidade e qualidade.

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