Os estudos científicos dizem muito sobre esse ingrediente. (Créditos: Canva)
O óleo de semente de abóbora chama atenção pela cor verde intensa, pelo sabor marcante e pelo aroma que lembra nozes. Nas redes sociais, porém, ele ganhou uma fama ainda maior e passou a ser associado a benefícios para o coração, a próstata e até à prevenção de diversas doenças. Mas será que todas essas promessas têm respaldo científico?
A resposta é mais equilibrada. O produto pode fazer parte de uma alimentação saudável, mas não deve ser encarado como medicamento ou solução milagrosa. Os estudos disponíveis apontam benefícios potenciais, embora ainda existam limitações importantes nas pesquisas realizadas.
O que existe no óleo de semente de abóbora?
O óleo é produzido a partir das sementes da abóbora e sua composição pode variar conforme a variedade utilizada e o processo de fabricação. Ele apresenta quantidade significativa de gorduras insaturadas, especialmente os ácidos linoleico e oleico.
Além disso, contém tocoferóis, compostos relacionados à vitamina E, fitoesteróis e substâncias fenólicas. Esses componentes ajudam a explicar o interesse científico pelo alimento, principalmente em pesquisas que investigam suas propriedades antioxidantes.
Isso, porém, não significa que consumir o óleo seja suficiente para prevenir ou tratar doenças. Resultados observados em laboratório não podem ser automaticamente transferidos para a saúde humana.
O óleo pode fazer bem ao coração?
A saúde cardiovascular é uma das áreas em que o óleo de semente de abóbora vem sendo estudado. Um pequeno estudo randomizado realizado com 35 mulheres na pós-menopausa observou alterações favoráveis no colesterol HDL após 12 semanas de consumo.
O problema é justamente o tamanho da pesquisa. Com tão poucos participantes, não é possível afirmar que os mesmos resultados acontecerão com toda a população.
Do ponto de vista nutricional, entretanto, substituir fontes de gordura menos favoráveis por óleos ricos em gorduras insaturadas pode fazer parte de uma alimentação equilibrada. Ainda assim, o óleo é bastante calórico e deve ser consumido com moderação.
E a relação com a próstata?
É nessa área que aparecem alguns dos resultados mais interessantes. Pesquisas investigaram o uso de óleo e outros derivados das sementes de abóbora em homens com hiperplasia prostática benigna, condição que pode provocar sintomas urinários.
Um estudo randomizado publicado em 2021 observou melhora de alguns sintomas entre homens que consumiram óleo de semente de abóbora. No entanto, a tansulosina, medicamento utilizado no tratamento da condição, apresentou resultados superiores.
Outro estudo, realizado durante um ano com mais de 1.400 homens, avaliou sementes e extratos de semente de abóbora. Os resultados mostraram benefícios das sementes para alguns sintomas urinários, mas o extrato não apresentou diferença significativa em comparação ao placebo.
Por isso, é importante não confundir sementes, óleo e extratos de abóbora, já que são produtos diferentes. O óleo também não substitui avaliação médica ou tratamento prescrito.
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