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O perigo escondido nas garrafas de alumínio e plástico que todo mundo usa, mas que poucas pessoas usam do jeito certo
Fausto Fagioli FonsecaPor  Fausto Fagioli Fonseca  | Redator

Fausto é jornalista há mais de 15 anos, tendo trabalhado em diversos veículos com foco em saúde, alimentação, bem-estar e atividade física. Admite que não é um grande cozinheiro como as suas avós, mas tem suas receitinhas secretas!

No fim das contas, o perigo não está no uso da garrafa reutilizável em si...

O perigo escondido nas garrafas de alumínio e plástico que todo mundo usa, mas que poucas pessoas usam do jeito certo

O alerta do médico não tem caráter alarmista, mas educativo (Crédito: Shutterstock)

As garrafas reutilizáveis de plástico e alumínio se tornaram parte da rotina de milhões de pessoas. Estão na academia, na mesa de trabalho, ao lado da cama e até nas mochilas das crianças.

O problema é que, apesar da aparência limpa, esses recipientes podem esconder um risco invisível à saúde quando não são higienizados da forma correta.

De acordo com o cirurgião cardiovascular Dr. Sérgio Francisco, conhecido pelo perfil Café com Cardio, o uso repetido dessas garrafas sem limpeza adequada favorece a formação de uma camada microscópica chamada biofilme.

O que é o biofilme e por que ele representa um risco real

O biofilme é uma estrutura formada por bactérias envolvidas por polissacarídeos, uma espécie de “cola biológica” que permite que esses microrganismos se fixem com força às superfícies.

Segundo o médico, ele se desenvolve com facilidade em ambientes úmidos e fechados, como o interior de garrafas reutilizáveis que são constantemente reabastecidas ao longo do dia.

O problema é que, à medida que esse biofilme cresce, ele passa a liberar bactérias que podem causar infecções. O médico alerta que quadros recorrentes de infecção na boca, no estômago e no intestino podem ter relação direta com esse hábito negligenciado.

Em casos mais graves, especialmente em pessoas com imunidade comprometida ou doenças pré-existentes, essas bactérias podem alcançar a corrente sanguínea e desencadear infecções sistêmicas, inclusive com impacto cardiovascular.

Outro ponto importante destacado pelo especialista é que simplesmente enxaguar a garrafa ou lavá-la rapidamente com água e detergente não é suficiente para eliminar o biofilme. Esse tipo de limpeza remove a sujeira visível, mas não rompe a estrutura microscópica onde as bactérias permanecem aderidas.

Por que plástico e alumínio exigem mais atenção

Entre os materiais mais comuns, as garrafas de plástico são consideradas as mais problemáticas. Isso porque o plástico tende a apresentar microfissuras ao longo do tempo, especialmente quando exposto a calor, suplementos, bebidas açucaradas ou uso intenso. 

As garrafas de alumínio também exigem cuidado especial. O médico explica que, além do acúmulo de bactérias, esses recipientes podem sofrer corrosão microscópica causada pela ação dos microrganismos. Com o tempo, isso pode levar à liberação de partículas de alumínio no líquido consumido.

Outro erro comum, segundo o especialista, é o uso de garrafas com boca muito estreita. Esse tipo de design impede a fricção adequada durante a limpeza, favorecendo a permanência do biofilme. Por isso, ele recomenda priorizar modelos que permitam abertura total da tampa e acesso fácil ao interior.

Como fazer a limpeza correta e reduzir o risco

A limpeza eficaz dessas garrafas precisa ir além do básico. O primeiro passo é a higienização mecânica diária, com detergente ou sabão neutro e fricção firme usando escova apropriada para o interior do recipiente. No entanto, esse não deve ser o único cuidado.

Pelo menos a cada três dias, seja feita uma desinfecção mais profunda. Para isso, ele recomenda:

  1. Preparar uma solução com bicarbonato de sódio, usando cerca de 50 gramas para cada litro de água
  2. A garrafa deve ser completamente preenchida com essa mistura e deixada em repouso por cerca de dez minutos
  3. Esse tempo é suficiente para eliminar as bactérias do biofilme e ajudar a removê-lo da superfície interna

Outra alternativa citada é o uso de vinagre, também preenchendo totalmente o recipiente e deixando agir por dez minutos.  

Um risco doméstico que pode ser evitado

O alerta do médico não tem caráter alarmista, mas educativo. Segundo ele, muitas doenças recorrentes poderiam ser evitadas com informações simples e mudanças pequenas na rotina.

Encher a garrafa várias vezes ao longo do dia sem higienização adequada, deixá-la ao lado da cama ou usá-la constantemente na academia sem limpeza correta são hábitos que triplicam o risco de contaminação.

Com quantos anos você descobriu que precisa de grãos de arroz para limpar a garrafa por dentro? 

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