O alerta do médico não tem caráter alarmista, mas educativo (Crédito: Shutterstock)
As garrafas reutilizáveis de plástico e alumínio se tornaram parte da rotina de milhões de pessoas. Estão na academia, na mesa de trabalho, ao lado da cama e até nas mochilas das crianças.
O problema é que, apesar da aparência limpa, esses recipientes podem esconder um risco invisível à saúde quando não são higienizados da forma correta.
De acordo com o cirurgião cardiovascular Dr. Sérgio Francisco, conhecido pelo perfil Café com Cardio, o uso repetido dessas garrafas sem limpeza adequada favorece a formação de uma camada microscópica chamada biofilme.
O que é o biofilme e por que ele representa um risco real
O biofilme é uma estrutura formada por bactérias envolvidas por polissacarídeos, uma espécie de “cola biológica” que permite que esses microrganismos se fixem com força às superfícies.
Segundo o médico, ele se desenvolve com facilidade em ambientes úmidos e fechados, como o interior de garrafas reutilizáveis que são constantemente reabastecidas ao longo do dia.
O problema é que, à medida que esse biofilme cresce, ele passa a liberar bactérias que podem causar infecções. O médico alerta que quadros recorrentes de infecção na boca, no estômago e no intestino podem ter relação direta com esse hábito negligenciado.
Em casos mais graves, especialmente em pessoas com imunidade comprometida ou doenças pré-existentes, essas bactérias podem alcançar a corrente sanguínea e desencadear infecções sistêmicas, inclusive com impacto cardiovascular.
Outro ponto importante destacado pelo especialista é que simplesmente enxaguar a garrafa ou lavá-la rapidamente com água e detergente não é suficiente para eliminar o biofilme. Esse tipo de limpeza remove a sujeira visível, mas não rompe a estrutura microscópica onde as bactérias permanecem aderidas.
Por que plástico e alumínio exigem mais atenção
Entre os materiais mais comuns, as garrafas de plástico são consideradas as mais problemáticas. Isso porque o plástico tende a apresentar microfissuras ao longo do tempo, especialmente quando exposto a calor, suplementos, bebidas açucaradas ou uso intenso.
As garrafas de alumínio também exigem cuidado especial. O médico explica que, além do acúmulo de bactérias, esses recipientes podem sofrer corrosão microscópica causada pela ação dos microrganismos. Com o tempo, isso pode levar à liberação de partículas de alumínio no líquido consumido.
Outro erro comum, segundo o especialista, é o uso de garrafas com boca muito estreita. Esse tipo de design impede a fricção adequada durante a limpeza, favorecendo a permanência do biofilme. Por isso, ele recomenda priorizar modelos que permitam abertura total da tampa e acesso fácil ao interior.
Como fazer a limpeza correta e reduzir o risco
A limpeza eficaz dessas garrafas precisa ir além do básico. O primeiro passo é a higienização mecânica diária, com detergente ou sabão neutro e fricção firme usando escova apropriada para o interior do recipiente. No entanto, esse não deve ser o único cuidado.
Pelo menos a cada três dias, seja feita uma desinfecção mais profunda. Para isso, ele recomenda:
- Preparar uma solução com bicarbonato de sódio, usando cerca de 50 gramas para cada litro de água
- A garrafa deve ser completamente preenchida com essa mistura e deixada em repouso por cerca de dez minutos
- Esse tempo é suficiente para eliminar as bactérias do biofilme e ajudar a removê-lo da superfície interna
Outra alternativa citada é o uso de vinagre, também preenchendo totalmente o recipiente e deixando agir por dez minutos.
Um risco doméstico que pode ser evitado
O alerta do médico não tem caráter alarmista, mas educativo. Segundo ele, muitas doenças recorrentes poderiam ser evitadas com informações simples e mudanças pequenas na rotina.
Encher a garrafa várias vezes ao longo do dia sem higienização adequada, deixá-la ao lado da cama ou usá-la constantemente na academia sem limpeza correta são hábitos que triplicam o risco de contaminação.
Com quantos anos você descobriu que precisa de grãos de arroz para limpar a garrafa por dentro?