O pênis bovino virou símbolo de uma nova economia do boi (Crédito: Imagem gerada via ChatGPT)
Por muito tempo, o pênis do boi, conhecido no setor como vergalho, foi visto apenas como um subproduto sem valor comercial, destinado ao descarte. Mas essa realidade mudou.
Hoje, ele é uma mercadoria disputada por diferentes mercados, movimenta exportações e chega até a prateleiras de luxo na Ásia. No Brasil, o órgão virou também petisco natural para cães e um símbolo da chamada “economia do aproveitamento total”, em que nada do animal é desperdiçado.
De tabu a iguaria
No Brasil, a ideia de transformar o pênis bovino em alimento humano ainda causa estranhamento. Mas em países asiáticos, especialmente na China, ele é consumido há séculos.
O ingrediente pode ser servido de diversas formas: ensopado, cozido, desidratado ou em pó. Entre os chineses, o formato desidratado é o mais comum, já que absorve bem os temperos e tem sabor suave.
Em restaurantes especializados, o prato aparece como iguaria afrodisíaca, servido com caldos ou molhos picantes, e é visto como uma experiência de prestígio.
O outro lado do mercado: petiscos premium
Enquanto isso, o setor pet transformou o mesmo produto em um sucesso silencioso. O vergalho desidratado é vendido como um snack natural que estimula a mastigação e auxilia na higiene bucal dos cães. Segundo frigoríficos, a procura vem crescendo junto com o aumento dos cuidados e gastos com animais de estimação.
Além de ser rico em proteínas, o produto tem longa durabilidade e alto valor de revenda. O quilo pode ultrapassar R$ 20, e versões prontas para o consumo animal variam entre R$ 12 e R$ 80, dependendo do tamanho e da embalagem.
A valorização é tamanha que muitas empresas criaram linhas específicas para exportação de petiscos naturais — e o vergalho está entre os campeões de saída.
O ciclo do aproveitamento total
Nos frigoríficos, nada se perde. A lógica é aproveitar cada parte do animal, e o pênis bovino passou a representar mais uma frente de receita.
Após o abate, o órgão é higienizado, tem as membranas retiradas e é embalado individualmente. Durante a desidratação, o peso de uma peça cai de cerca de meio quilo para menos de 200 gramas, mas o valor por quilo aumenta consideravelmente.
Outras partes também seguem caminhos curiosos: chifres viram berrantes ou cuias de chimarrão, o sangue é aproveitado na indústria farmacêutica e a crina pode se transformar em pincéis. É uma cadeia que busca eficiência máxima.
Exportação e preços que impressionam
Ainda não há um levantamento oficial específico sobre o volume exportado de pênis bovino, já que ele é incluído nas categorias de “miudezas comestíveis” ou “preparações alimentícias”.
Mesmo assim, as cifras mostram um mercado em crescimento. Segundo dados do Ministério da Agricultura, o Brasil faturou mais de US$ 230 mil com exportações de miúdos comestíveis de bovinos frescos ou refrigerados em 2025.
Em Hong Kong, a tonelada de vergalho desidratado pode alcançar US$ 6 mil — valor superior ao de outras partes tradicionais, como o omaso (uma das câmaras do estômago) e o bucho.
De curiosidade exótica a ativo valioso
O que antes era motivo de piada virou negócio sério. O vergalho bovino mostra como inovação e reaproveitamento podem caminhar juntos.
De iguaria afrodisíaca na China a petisco funcional nas prateleiras de pet shops, o produto percorreu um caminho improvável, mas extremamente lucrativo.
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