Preço do azeite dispara na Europa. (créditos: Shutterstock)
Nos últimos anos, o preço do azeite tem dado dor de cabeça aos consumidores. Depois de passar 2024 em alta, o produto apresentou um alívio no início de 2025. Mas, no segundo semestre, o azeite extravirgem voltou a disparar na Europa, ultrapassando a marca de quatro euros.
Preço do azeite volta a subir na Europa e atinge a "linha vermelha"
O azeite extravirgem na origem ultrapassou a barreira psicológica de quatro euros por quilo. Segundo a Associação de Jovens Agricultores de Jaén, na Espanha, o extravirgem está cotado a € 4,001/kg, enquanto o azeite virgem custa € 3,53 e o lampante, € 3,29.
Os números estão em linha com os do Observatório de Preços e Mercados do Governo Regional da Andaluzia, que também aponta o extravirgem acima dos quatro euros. Já no varejo, o Índice de Preços ao Consumidor mostra que o azeite, de forma geral, caiu 3,1% em junho e segue bem abaixo do valor registrado no ano passado.
Como boa parte do azeite consumido no Brasil vem da Europa, especialmente da Espanha, a escalada de preços no continente tende a refletir também por aqui.
Por que o azeite está tão caro na Europa
O setor aponta que a escalada de preços está ligada, em primeiro lugar, ao aumento dos custos de produção. Em maio, o Comitê Coordenador das Organizações de Agricultores e Pecuaristas (COAG) alertou que, enquanto os consumidores pagavam cerca de seis euros por litro, os produtores recebiam menos de € 3,50 pelo azeite extravirgem. Segundo os cálculos da entidade, para a safra 2024/25 o preço deveria variar entre € 5,55 e € 6,14/kg , valores bem acima dos praticados. “É uma situação que não se sustenta ao longo do tempo”, destacou a COAG.
Outro fator é a revisão das expectativas para a colheita. Apesar do otimismo inicial trazido pelas chuvas da primavera, tudo indica que a safra será menor do que a esperada. Há um mês, agricultores já haviam divulgado um comunicado para reduzir o excesso de confiança e ajustar as projeções do setor.
A menor produção é explicada por uma combinação de fatores: altas temperaturas durante a floração, pragas, impacto das ondas de calor no tamanho dos frutos e até a alternância natural de produtividade nas oliveiras. De acordo com a União de Pequenos Agricultores e Pecuaristas da Andaluzia (UPA), a próxima temporada deve render entre 1,2 e 1,4 milhão de toneladas, volume que reflete cortes nas estimativas tanto da Andaluzia quanto de Castela-La Mancha.
Vendas seguem firmes apesar da alta
Embora a escalada de preços indique instabilidade no setor, dados do Observatório Andaluz mostram que as vendas continuam em bom ritmo. Há algumas semanas, a ASAJA Córdoba comemorou o fato de as exportações de azeite terem alcançado 147 mil toneladas em julho, o maior volume para o mês nos últimos dez anos em todo o país.
Os estoques entre safras também devem ser limitados. Segundo o jornal El Economista, devem ficar em torno de 270 mil toneladas.
Outro ponto-chave da campanha é o mercado americano. Entre janeiro e maio, as vendas de azeite espanhol para os EUA cresceram 31,25%, embora esse avanço não tenha sido acompanhado por uma alta proporcional no valor arrecadado.
A grande dúvida agora é o impacto das tarifas. Os dados de julho, ainda sem a incidência dessas taxas, já mostram uma queda nas exportações. Mesmo assim, parte do setor se mantém otimista, destacando a fidelidade de clientes que já haviam comprado azeite espanhol quando o preço na origem estava ainda mais alto do que hoje.
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