Cada vez mais popular, o café descafeinado é a escolha de quem quer saborear um bom café sem consumir tanta cafeína. (créditos: Shutterstock)
O café descafeinado é uma excelente alternativa para quem deseja reduzir o consumo de cafeína sem abrir mão do prazer de uma boa xícara. Ao contrário do que muita gente imagina, ele não é uma bebida artificial nem vem de uma variedade diferente de café. Os grãos são os mesmos utilizados no café tradicional. O que muda é o processo pelo qual eles passam antes da torra.
A retirada da cafeína acontece quando o grão ainda está verde, por meio de técnicas desenvolvidas para preservar ao máximo o aroma, o sabor e boa parte dos compostos naturais da bebida.
O café descafeinado nem sempre é totalmente livre de cafeína
Antes da torra, os grãos passam por uma etapa que remove entre 97% e 99% da cafeína, percentual exigido por regulamentações internacionais para que o produto possa ser vendido como descafeinado.
Isso significa que a bebida ainda contém pequenas quantidades da substância. Uma xícara de café comum costuma ter entre 80 e 120 mg de cafeína. Já a versão descafeinada normalmente apresenta entre 2 e 7 mg na mesma quantidade.
Para a maioria das pessoas, essa diferença é suficiente para reduzir bastante os efeitos estimulantes. Porém, quem precisa evitar completamente a cafeína por orientação médica deve sempre conferir as informações no rótulo.
Por que a cafeína é retirada antes da torra?
Quando ainda está verde, o café é mais poroso. Isso facilita a extração da cafeína sem comprometer sua composição. Depois dessa etapa, os grãos são secos e seguem para a torrefação normalmente.
É justamente durante a torra que surgem os aromas e sabores característicos que fazem parte da experiência de beber café.
Como a cafeína é removida dos grãos?
Existem diferentes métodos utilizados pela indústria. Todos têm o mesmo objetivo: retirar a cafeína preservando o máximo possível dos compostos responsáveis pelo sabor e pelo aroma.
Processo com água
Esse é um dos métodos mais utilizados. Os grãos ficam de molho em água morna, fazendo com que a cafeína e outros componentes solúveis passem para o líquido. Depois, essa água atravessa filtros de carvão ativado, que capturam apenas as moléculas de cafeína.
A água, agora rica nos compostos aromáticos do café, é reutilizada em novos lotes de grãos. Como ela já está saturada desses compostos, passa a retirar praticamente apenas a cafeína.
Dióxido de carbono supercrítico
Sob altas pressões, o dióxido de carbono adquire características que permitem extrair principalmente a cafeína dos grãos, preservando boa parte das demais substâncias.
Depois da separação, o gás é reaproveitado no processo, tornando essa tecnologia bastante eficiente.
Solventes de grau alimentício
Esse método é utilizado há décadas e ainda desperta dúvidas. Nele, os grãos entram em contato com substâncias como acetato de etila ou cloreto de metileno, capazes de dissolver seletivamente a cafeína. Em seguida, passam por lavagem, vapor e secagem.
Os resíduos permitidos no produto final são extremamente baixos e seguem limites rigorosos estabelecidos por órgãos reguladores. Além disso, grande parte dessas substâncias é eliminada durante o próprio processamento e na torra.
O café descafeinado perde o sabor?
As primeiras versões realmente tinham fama de serem sem graça. Hoje em dia, os métodos modernos conseguem preservar boa parte dos compostos aromáticos responsáveis pelo sabor do café. Um especialista pode perceber diferenças entre um café tradicional e um descafeinado de alta qualidade, mas, para a maioria das pessoas, elas são discretas.
Quanto melhor a qualidade dos grãos e do processo de descafeinação, mais próximo o resultado fica do café convencional.
Retirada da cafeína não afeta potencial antioxidante do café
O café continua sendo uma fonte importante de antioxidantes mesmo depois da retirada da cafeína. Durante a descafeinação pode ocorrer uma pequena redução em alguns desses compostos, mas costuma ser pouco. Na prática, o descafeinado ainda preserva boa parte dos polifenóis naturalmente presentes na bebida.
O descafeinado é mais saudável?
Depende da forma como seu organismo reage à cafeína. Para quem tolera bem a cafeína, o café tradicional não faz mal quando consumido com moderação.
Já o descafeinado costuma ser uma boa alternativa para pessoas que têm dificuldade para dormir, sofrem com ansiedade desencadeada pela cafeína, apresentam palpitações após consumir café ou receberam orientação médica para reduzir a ingestão da substância.
Também pode ser uma escolha interessante para quem gosta de tomar café à noite e não quer comprometer o sono.
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