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Caminhar não conta como "exercício": para que 10.000 passos diários sejam eficazes, é preciso aplicar a regra x3
Amanda LopesPor  Amanda Lopes  | Redatora

Fascinada por MasterChef, culinária nordestina, pratos empanados, receitas rápidas e drinks diferentes, Amanda não abre mão de um bom cafezinho acompanhado de água com gás após o almoço, mesmo nos dias quentes.

Caminhar é melhor do que ficar deitado no sofá, mas, dependendo do seu objetivo, pode não ser suficiente.

Caminhar não conta como "exercício": para que 10.000 passos diários sejam eficazes, é preciso aplicar a regra x3

Você é do time da corrida ou da caminhada? (Créditos

Para pessoas com pressão alta, diabetes ou outras doenças crônicas, a recomendação clássica sempre foi atingir os famosos 10.000 passos por dia. No entanto, novas análises científicas e a opinião de especialistas vêm questionando essa ideia. Afinal, caminhar qualquer quantidade e em qualquer ritmo realmente pode ser chamado de exercício? Venha conferir!

Caminhar não é o mesmo que treinar

O professor Felipe Isidro, especialista em Ciências da Atividade Física e do Esporte, defende uma visão direta: caminhar, na maioria das vezes, não é exercício, mas apenas um deslocamento. Segundo ele, recomendar “caminhadas” genéricas é quase tão óbvio quanto recomendar que alguém respire. A maioria das pessoas já caminha diariamente para realizar tarefas básicas. O problema está na intensidade. Para Isidro, caminhar abaixo de 120 passos por minuto não gera estímulo suficiente para provocar adaptações reais no corpo.

A ciência sustenta esse argumento ao explicar que o organismo humano é altamente eficiente. Se o esforço não representa um desafio, o corpo simplesmente não se adapta. Esse fenômeno é conhecido como “estímulo insuficiente”. Em outras palavras, sem intensidade, não há evolução.

O que os estudos dizem sobre intensidade

Pesquisas reforçam essa diferença de impacto. O estudo LITE, por exemplo, avaliou pessoas que realizavam caminhadas de baixa intensidade e constatou que seus resultados em resistência e capacidade funcional foram praticamente iguais aos de indivíduos sedentários. Para o corpo, esse tipo de caminhada não é considerado um exercício capaz de gerar mudanças.

Já dados do Estudo do Coração de Framingham mostram que atividades moderadas a vigorosas são até três vezes mais eficazes para melhorar o condicionamento físico do que caminhar lentamente. A explicação é metabólica: um minuto de atividade mais intensa pode gerar benefícios cardiovasculares semelhantes a vários minutos de caminhada leve. Além disso, análises sobre diabetes tipo 2 indicam que caminhadas intervaladas e mais intensas reduzem o açúcar no sangue com muito mais eficiência do que um ritmo constante e lento.

Onde está a linha entre caminhar e exercitar-se?

A fronteira científica entre “andar” e “treinar” está na cadência. Estudos apontam que, para a caminhada gerar impactos no corpo, é necessário manter entre 120 e 140 passos por minuto. Abaixo disso, a atividade é considerada leve: útil para reduzir o sedentarismo e melhorar a mobilidade, especialmente em idosos, mas insuficiente para promover ganhos cardiorrespiratórios relevantes em adultos saudáveis.

Em resumo, caminhar não é ruim. O problema é fazer apenas o mínimo. A quantidade total de passos ajuda na longevidade, mas é a intensidade que protege a qualidade de vida. A solução é simples: acelerar o ritmo, sempre respeitando seus limites individuais.

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