Café colombiano tem método de produção diferente do café brasileiro (Créditos: Shutterstock)
O debate sobre qual é o melhor café do mundo nunca sai de moda. Em meio ao crescimento dos cafés especiais e ao interesse cada vez maior por origem, método de cultivo e perfil sensorial, dois países da América do Sul sempre aparecem no centro da conversa: Colômbia e Brasil.
Embora sejam duas potências na produção cafeeira, o café colombiano costuma levar a “fama” com mais frequência. Mas será que ele é mesmo melhor do que o brasileiro? A resposta, que não é tão simples assim, passa por sabor, produção, tradição e até marketing. O TudoGostoso explica melhor a seguir!
Afinal, por que o café colombiano ficou tão famoso?
A Colômbia construiu sua reputação global apostando quase exclusivamente no café arábica de alta qualidade. Cultivado em áreas montanhosas da Cordilheira dos Andes, o café colombiano se beneficia de altitudes elevadas, solos ricos e uma grande variedade de microclimas, o que resulta em grãos com perfis sensoriais diversos.
Outro diferencial está na colheita, que em muitas regiões acontece duas vezes ao ano. Isso permite maior controle da maturação dos frutos e influencia diretamente o sabor da bebida. No geral, os cafés colombianos são conhecidos por serem equilibrados, suaves, com corpo médio, acidez mais evidente e doçura natural. São cafés fáceis de beber e muito apreciados no mercado internacional.
Método de produção também faz diferença
A maior parte do café colombiano passa pelo processo chamado de “lavado”. Após a colheita manual, os frutos são despolpados, fermentados em água e depois secos ao sol. Esse método resulta em cafés mais limpos, brilhantes e com acidez mais pronunciada – uma característica muito valorizada no mercado gourmet global.
Já no Brasil, predomina o processamento natural, em que o grão seca dentro do próprio fruto. Esse método preserva mais açúcares, entregando cafés mais encorpados, doces e intensos. Além disso, o café brasileiro tende a ter maior estabilidade e pode ser armazenado por mais tempo sem perder qualidade. Na prática, são estilos diferentes de café, não necessariamente melhores ou piores, apenas distintos.
Café colombiano x café brasileiro: existe um vencedor?
Comparar cafés de origens diferentes é sempre um desafio, porque o café é um produto de terroir. Ou seja, clima, altitude, solo, variedade e manejo influenciam diretamente no resultado final. Até o mesmo tipo de grão pode gerar bebidas completamente diferentes dependendo de onde e como é cultivado.
A Colômbia se destaca por um padrão mais uniforme de cafés suaves e ácidos, muito usados em expresso e métodos filtrados. O Brasil, por sua vez, oferece uma diversidade enorme: do café mais intenso e achocolatado ao frutado e complexo, passando por arábicas e robustas.
Precisamos destacar ainda que um dos grandes trunfos da Colômbia foi transformar o café em símbolo nacional. Desde a década de 1950, o país investe pesado em promoção internacional. A criação do personagem Juan Valdez ajudou a associar o café colombiano à ideia de tradição, cuidado e qualidade superior.
Essa estratégia consolidou a presença do país no mercado premium mundial e criou uma percepção forte de valor. Não por acaso, a região cafeeira colombiana foi reconhecida pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade.
E o café brasileiro, ficou para trás?
Longe disso! O Brasil é o maior produtor de café do mundo e, durante muito tempo, focou no volume e na exportação como commodity. Mas esse cenário vem mudando. Nos últimos anos, os cafés especiais brasileiros ganharam espaço, prêmios internacionais e reconhecimento pela qualidade. O café brasileiro pode não ter a mesma fama global do colombiano, mas qualidade e diversidade definitivamente não faltam.
Portanto, a definição de qual é o melhor café do mundo segue aberta. Todos os anos, novos grãos se destacam em concursos internacionais, vindos do Brasil, da Colômbia e de vários outros países produtores. E tem mais: a escolha depende de quais sabores combinam mais com cada paladar. Isso só acontece com a ajuda de boas xícaras de café e muita experimentação!
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