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Com duas sacas de café, uma mula e nenhum centavo no bolso, brasileiro do sertão criou empresa que fatura mais de R$ 10 bilhões por ano
Adriana DouglasPor  Adriana Douglas

Grupo de lidera o mercado nacional de café teve parte de sua história construída no interior do Rio Grande do Norte

Com duas sacas de café, uma mula e nenhum centavo no bolso, brasileiro do sertão criou empresa que fatura mais de R$ 10 bilhões por ano

Conheça a trajetória de uma das maiores empresas de café do Brasil (Créditos: Shutterstock)

Ele não tinha dinheiro, não tinha estrutura, nem contatos influentes. Tinha apenas um pouco de café e disposição para insistir quando tudo parecia improvável. O que começou de forma quase improvável, no interior do Nordeste, atravessou décadas, superou mudanças de mercado e se transformou em uma das maiores histórias de sucesso do empreendedorismo brasileiro.

Do Sertão nordestino para o topo do mercado

João Alves de Lima saiu do Sertão nordestino carregando poucos bens, mas muita perseverança. Com duas sacas de café e uma mula, ele começou a bater de porta em porta no interior do Rio Grande do Norte, vendendo café de forma simples e direta. O início foi duro, lento e totalmente regional. Mas João tinha algo raro: visão de longo prazo e paciência para construir.

Em 1961, depois de muito esforço, ele conseguiu juntar dinheiro suficiente para comprar um pequeno moinho em São Miguel (RN), e passou a torrar e moer o próprio café, que na época se chamava Café Nossa Senhora de Fátima. Então, o produto começou a ganhar aceitação. Nessa época, o crescimento ainda era modesto.

Em 1988, já com o novo nome “Santa Clara”, a empresa abriu uma filial de vendas e distribuição em Mossoró (RN) e, dois anos depois, veio a primeira fábrica no Ceará. A partir daí, a operação começou a ganhar escala de verdade. No fim daquela década, a empresa de João Alves de Lima já faturava cerca de R$ 127 milhões por ano – um número expressivo para quem tinha começado literalmente do zero.

Entender o mercado antes dos outros

Enquanto muita gente ainda via o café apenas como um produto básico, a empresa de João entendeu cedo que o mercado estava mudando. Consumo, marca, conveniência e inovação iam definir o futuro. Essa leitura antecipada abriu caminho para uma jogada mais ousada.

Em 2003, a empresa deu os primeiros passos rumo à expansão nacional ao entrar no mercado do Sudeste com a incorporação da marca Pimpinela (RJ). Dois anos depois, nasceu uma joint venture que mudaria tudo até os dias atuais: Santa Clara se juntou à companhia israelense Strauss, dando origem ao Grupo 3 Corações.

Depois disso, o grupo continuou crescendo, adquirindo e incorporando marcas regionais e ampliando categorias de produto (café solúvel, cápsulas, máquinas e outras bebidas). Atualmente, a empresa fatura mais de R$ 10 bilhões por ano e lidera o mercado nacional de café.

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