Uma alimentação com pouquíssimo carboidrato não é a melhor estratégia para todas as pessoas. (créditos: Shuttestock)
Carboidratos costumam aparecer no centro das discussões sobre dietas e, principalmente, sobre glicemia. Para quem tem diabetes ou pré-diabetes, isso pode gerar uma série de dúvidas e até levar a restrições desnecessárias. Mas especialistas e organizações internacionais destacam que controlar a glicose não significa cortar esse nutriente por completo.
A qualidade dos alimentos, a quantidade consumida e a forma como eles são combinados na refeição também fazem diferença. Ao contrário do que muitos pensam, os carboidratos não precisam ser vistos como os grandes vilões da alimentação.
Veja a seguir 4 mitos sobre carboidratos e glicemia que precisam ser revistos.
1. Quem tem diabetes precisa eliminar os carboidratos
Esse é um dos principais equívocos. O diagnóstico de diabetes não significa que pães, arroz, frutas, feijão ou outros alimentos fontes de carboidrato precisam desaparecer do cardápio.
A Associação Americana de Diabetes (ADA) defende uma alimentação individualizada, com preferência por alimentos ricos em nutrientes e fibras e menos processados. Leguminosas, frutas inteiras, vegetais e grãos integrais estão entre as opções recomendadas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) segue uma linha semelhante. Em vez de propor a eliminação do nutriente, a entidade orienta priorizar fontes de melhor qualidade e com mais fibras.
2. Todo carboidrato provoca o mesmo efeito na glicemia
A quantidade consumida importa, mas o tipo de carboidrato também interfere na resposta do organismo. Alimentos ricos em fibras tendem a ser digeridos mais lentamente, enquanto opções mais refinadas podem provocar uma elevação mais rápida da glicose.
Por isso, trocar alimentos ultraprocessados por fontes integrais faz diferença. A composição completa da refeição também deve ser considerada.
Outro detalhe importante é que um produto escrito “sem açúcar” na embalagem não necessariamente tem pouco carboidrato. Farinhas, amidos e outros ingredientes podem continuar presentes e influenciar a glicemia.
3. É preciso evitar frutas porque elas têm açúcar
A presença de açúcar natural não transforma as frutas como alimentos que aumentam a glicemia. Pelo contrário. A OMS inclui frutas entre as fontes recomendadas de carboidratos.
A fruta inteira também oferece água, fibras, vitaminas, minerais e compostos vegetais. Sua estrutura faz com que a digestão seja diferente da de produtos como sucos.
Por isso, recomendações nutricionais costumam dar preferência à fruta inteira em vez de bebidas à base de frutas. Também é possível combiná-la com fontes de proteína ou gorduras saudáveis, de acordo com as necessidades de cada pessoa.
4. Quanto menos carboidrato, melhor será o controle da glicemia
Reduzir drasticamente os carboidratos pode parecer uma solução simples, mas não existe uma quantidade ideal que funcione para todas as pessoas. A ADA destaca que diferentes padrões alimentares podem ser adequados. O plano deve levar em conta as necessidades individuais, a rotina e a capacidade de manter as escolhas ao longo do tempo.
Dietas muito restritivas podem até produzir mudanças rápidas no peso, mas isso não significa que sejam superiores para o controle glicêmico a longo prazo. Mais importante do que demonizar o nutriente é escolher boas fontes, controlar as porções e manter uma alimentação equilibrada.
Carboidrato faz mal para a glicemia?
A resposta não é tão simples. O impacto depende de fatores como tipo e quantidade de carboidrato, teor de fibras e composição da refeição.
Para a maioria das pessoas, a estratégia não precisa ser eliminar esse grupo alimentar, mas melhorar as escolhas. Grãos integrais, frutas inteiras, vegetais e leguminosas são exemplos de fontes que podem fazer parte de uma alimentação equilibrada.
No caso de diabetes ou pré-diabetes, a quantidade adequada deve ser individualizada com orientação de um profissional de saúde.
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