Stanley Saji, farmacêutico clínico: "Se você começou a consumir a mistura caseira brasileira inspirada no Mounjaro, interrompa o uso e procure atendimento médico"
Por  Joanna  | Redatora

Quem a vê assumindo o papel de chef nas viagens com os amigos não imagina que a Joanna descobriu o seu talento com as panelas reproduzindo receitas do Instagram e TikTok. Tornou-se expert em receitas na prática e, agora, também é a grande responsável pelas sobremesas nos almoços em família

Suco de Mounjaro viraliza nas redes, mas farmacêutico faz alerta: "Não funciona da mesma forma que o medicamento".

Receita viral conhecida como "suco de Mounjaro" não tem comprovação científica. (créditos: Shutterstock)

Promessas de emagrecimento rápido sempre ganham muita força nas redes sociais. A mais recente delas é o chamado "suco de Mounjaro". A receita caseira, que normalmente leva ingredientes como vinagre de maçã, limão, gengibre, canela e água morna, tem sido divulgada como uma alternativa natural capaz de reduzir o apetite e acelerar a perda de peso.

Mas especialistas alertam que a bebida está longe de oferecer os mesmos efeitos do medicamento Mounjaro (tirzepatida), usado sob prescrição médica para o tratamento do diabetes tipo 2 e, em alguns casos, da obesidade.

Em um artigo publicado no Medical News Today, o farmacêutico clínico Stanley Saji chamou atenção para os riscos de acreditar em soluções milagrosas para emagrecer e reforçou que não existem evidências científicas que comprovem a eficácia ou a segurança da receita caseira.

O "Mounjaro caseiro" não é Mounjaro: “Receita pode trazer riscos à saúde”

Segundo Stanley Saji, comparar a bebida ao medicamento é um erro. Embora alguns ingredientes da receita tenham sido estudados individualmente, não há pesquisas que demonstrem que essa combinação seja capaz de promover perda de peso semelhante à obtida com medicamentos agonistas do GLP-1.

Em outras palavras, o chamado "Mounjaro natural" não substitui tratamento médico, alimentação equilibrada ou prática regular de atividade física.

Outro ponto destacado pelo farmacêutico é que a bebida viralizou sem que exista qualquer estudo avaliando seus efeitos quando consumida diariamente. "Não existem pesquisas sobre a bebida caseira, e sua origem também é desconhecida. Isso significa que não há informações sobre a segurança dessa combinação de ingredientes", escreveu o especialista. 

Embora pessoas saudáveis possam consumir alguns desses ingredientes ocasionalmente, a mistura pode representar riscos para determinados grupos, especialmente quando passa a fazer parte da rotina.

Entre os possíveis efeitos adversos estão:

dor de estômago;

diarreia;

refluxo;

hipoglicemia;

reações alérgicas;

possível toxicidade hepática.

Pessoas com gastrite, refluxo gastroesofágico, úlceras, doença renal crônica, diabetes ou problemas cardíacos devem ter atenção redobrada antes de consumir a bebida regularmente.

Especialista orienta interromper o consumo em caso de sintomas

No artigo, Stanley Saji também faz um alerta para sinais que exigem atendimento médico imediato.

"Se você começou a consumir a mistura caseira conhecida como Mounjaro, interrompa o uso e procure atendimento médico caso apresente dificuldade para respirar, inchaço no rosto ou na garganta, dor abdominal intensa ou persistente, vômitos contínuos, desmaios, confusão mental, dor no peito ou batimentos cardíacos acelerados ou irregulares."

O farmacêutico ainda destaca um cuidado importante para pessoas que utilizam medicamentos para controlar a glicemia.

"Pessoas que utilizam insulina ou outros medicamentos que reduzem o açúcar no sangue devem ficar atentas a suor excessivo, tremores e tontura, que podem ser sinais de hipoglicemia."

A melhor maneira de emagrecer é a combinação alimentação equilibrada e prática de exercícios físicos. (créditos; Shutterstock)

Como identificar uma promessa de emagrecimento duvidosa

Para Stanley Saji, algumas características costumam aparecer em tendências que viralizam na internet sem respaldo científico.

Segundo ele, vale desconfiar quando uma receita:

  • promete resultados rápidos e sem esforço;
  • se compara a medicamentos de prescrição;
  • tem como principal fonte vídeos de redes sociais, e não estudos científicos;
  • é divulgada como um "segredo" ou uma descoberta escondida da população.

De acordo com o farmaceutico, esses sinais indicam que a promessa pode ser mais marketing do que ciência. "Não vale a pena correr o risco. Embora pareça uma solução atraente, essa prática pode trazer sérios prejuízos à saúde".

O que realmente ajuda a emagrecer

Em vez de apostar em receitas milagrosas, o farmacêutico reforça que a perda de peso sustentável continua dependendo de hábitos já conhecidos pela ciência.

Uma alimentação rica em verduras, legumes, proteínas magras e grãos integrais, aliada à prática regular de exercícios físicos, hidratação adequada e boas noites de sono, ainda é a estratégia mais segura e eficaz para quem deseja emagrecer.

Quando essas mudanças não são suficientes, a orientação é procurar um médico ou nutricionista para investigar as causas da dificuldade em perder peso e avaliar se há necessidade de um tratamento específico.

Portanto, antes de seguir qualquer tendência viral, vale lembrar que nem tudo o que faz sucesso nas redes sociais é respaldado pela ciência. Em alguns casos, a busca por resultados rápidos pode colocar a saúde em risco.

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