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A fruta brasileira com maior teor de agrotóxicos, segundo a Anvisa
Jéssica AntunesPor  Jéssica Antunes  | Redatora

Jornalista apaixonada pelo universo gastronômico. Aprendi a cozinhar de verdade (com panela de pressão e tudo) depois de sair da casa dos meus pais para estudar. Desde então, amo experimentar sabores, conhecer novas culinárias e me arriscar em receitas diferentes.

Relatório revela quais alimentos apresentam maior potencial de risco e como reduzir a exposição no dia a dia

A fruta brasileira com maior teor de agrotóxicos, segundo a Anvisa

Monitoramento revela: abacaxi e laranja estão entre as frutas com maior presença de resíduos de agrotóxicos no Brasil. (Foto: Canva)

Se você costuma incluir abacaxi no cardápio, talvez se surpreenda: a fruta apareceu no topo da lista das mais contaminadas por agrotóxicos no Brasil. Segundo levantamento da Anvisa, o abacaxi foi a fruta com maior teor de agrotóxicos, seguido de perto pela laranja. O resultado acendeu um alerta sobre o que realmente chega à mesa dos brasileiros e a importância de saber a origem dos alimentos.

Os dados fazem parte do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para), que avalia periodicamente o nível de contaminação em frutas, verduras e legumes coletados em supermercados de diferentes regiões do país.

O que o estudo revelou sobre os alimentos analisados

O levantamento da Anvisa avaliou 14 alimentos de origem vegetal que, juntos, representam cerca de 31% do que os brasileiros consomem regularmente.

Principais alimentos avaliados

Abacaxi, alface, alho, arroz, batata-doce, beterraba, cenoura, chuchu, goiaba, laranja, manga, pimentão, tomate e uva.

Essas amostras foram testadas para detectar 338 tipos diferentes de agrotóxicos, incluindo substâncias já banidas ou não autorizadas no país. O objetivo foi identificar tanto o risco agudo (exposição em curto prazo) quanto o risco crônico (acúmulo ao longo da vida).

Risco agudo e crônico: qual a diferença?

Risco agudo: ocorre quando o consumo de um alimento com resíduos em excesso pode causar efeitos imediatos — como intoxicações leves ou reações adversas.

Risco crônico: avalia o impacto do consumo diário e prolongado de pequenas quantidades de agrotóxicos ao longo da vida.

No relatório de 2023, 22 amostras (0,67%) apresentaram potencial de risco agudo, com destaque para o abacaxi e a laranja. Já para o risco crônico, nenhuma amostra indicou risco relevante dentro dos limites avaliados.

O que significa “não conformidade”

Além dos riscos diretos à saúde, a Anvisa também observou problemas de conformidade com o uso permitido de agrotóxicos:

  • 37% das amostras não apresentaram resíduos detectáveis;
  • 36,9% estavam dentro do limite máximo permitido (LMR);
  • 26,1% apresentaram não conformidade, ou seja, uso de agrotóxicos proibidos ou em quantidades acima do limite.

Essas situações indicam falhas nas práticas agrícolas e podem representar risco não só ao consumidor, mas também aos trabalhadores do campo, que manipulam os produtos de forma incorreta ou sem a devida proteção.

Como reduzir o consumo de agrotóxicos no dia a dia

Embora o controle e a fiscalização sejam papel das autoridades, o consumidor também pode adotar hábitos simples para reduzir a exposição.

Dicas práticas

  • Lave bem frutas e verduras em água corrente antes de consumir. Deixar de molho por alguns minutos com uma colher (sopa) de vinagre por litro de água pode ajudar.
  • Prefira alimentos da estação, que costumam receber menor carga de produtos químicos.
  • Dê preferência a produtores locais e alimentos rastreados, com origem identificada.
  • Inclua variedade no cardápio: consumir diferentes tipos de frutas e legumes ajuda a reduzir a ingestão repetida de um mesmo resíduo químico.

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