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"Precisamos parar de comprar": o alerta de um especialista sobre planta vendida nas grandes lojas de jardinagem
Fausto Fagioli FonsecaPor  Fausto Fagioli Fonseca  | Redator

Fausto é jornalista há mais de 15 anos, tendo trabalhado em diversos veículos com foco em saúde, alimentação, bem-estar e atividade física. Admite que não é um grande cozinheiro como as suas avós, mas tem suas receitinhas secretas!

Quando mais pessoas deixam de comprar espécies invasoras e optam por alternativas nativas, melhor para o meio ambiente


 

"Precisamos parar de comprar": o alerta de um especialista sobre planta vendida nas grandes lojas de jardinagem

Plantas nativas não apenas se integram melhor ao ecossistema local, como também exigem menos manutenção (Crédito: Shutterstock)

Em meio à crescente conscientização ambiental e à busca por práticas mais sustentáveis, um alerta importante está ganhando força entre especialistas em jardinagem e conservação ambiental: é hora de parar de comprar hera-inglesa.

A planta, amplamente comercializada em centros de jardinagem e grandes redes de lojas, tem causado um impacto devastador em ecossistemas naturais, apesar de sua fama de ser uma “solução sem manutenção” para paisagens residenciais.

Uma beleza traiçoeira

Visualmente atraente e conhecida por cobrir rapidamente muros, cercas e áreas de jardim com um denso manto verde, a hera-inglesa (Hedera helix) é, na verdade, uma espécie exótica invasora.

Originária da Europa, a planta foi amplamente introduzida nas Américas como uma opção de baixo custo e pouca manutenção para paisagismo. Mas, por trás dessa promessa de praticidade, esconde-se um risco ambiental significativo.

Andrew, um arborista conhecido nas redes sociais como Andrew The Arborist, vem liderando um movimento de conscientização sobre os perigos da hera-inglesa. Em um vídeo que viralizou no YouTube, intitulado "Precisamos parar de comprar esta planta!", ele declara:

“É absolutamente inacreditável que ainda permitamos que a hera-inglesa seja vendida em praticamente todos os centros de jardinagem e grandes lojas” (declaração ao site The Cool Down).

Invasão silenciosa

A crítica de Andrew não é exagerada. A hera-inglesa já tomou grandes áreas de florestas nos Estados Unidos, da Costa Leste ao Noroeste Pacífico, e tem se expandido até partes do México.

A planta cobre o solo de forma densa, sufocando a vegetação nativa e impedindo o crescimento de flores silvestres e outras espécies locais. Além disso, ela sobe pelas árvores, enfraquecendo os troncos e deixando-os mais vulneráveis a doenças e quedas.

Esse comportamento agressivo transforma a hera-inglesa em uma ameaça real à biodiversidade. “Ela pode causar sombra e impedir que as flores silvestres nativas germinem e cresçam”, alerta Andrew.

A longo prazo, o impacto inclui a redução da variedade de plantas, a perda de habitat para animais silvestres e a degradação do solo.

Uma escolha cara para o meio ambiente — e para você

Apesar de ser vendida como uma planta de fácil cuidado, a hera-inglesa frequentemente se torna um pesadelo para os proprietários.

Uma vez estabelecida, ela se espalha rapidamente e pode ser extremamente difícil de erradicar. Controlá-la exige podas frequentes e, em muitos casos, serviços profissionais de remoção — o que gera custos adicionais.

Andrew é enfático: “Temos que parar de comprar esta planta. Parar de comprá-la para o jardim. Parar de comprá-la como planta doméstica. Parar de comprá-la completamente”. 

Alternativas nativas: o caminho para jardins sustentáveis

Para quem deseja manter um jardim bonito e funcional sem prejudicar o meio ambiente, há boas notícias. Existem diversas alternativas nativas que cumprem o mesmo papel da hera-inglesa — cobertura do solo, resistência e estética — mas sem os impactos negativos. Andrew recomenda espécies como:

  • Flox de musgo (Phlox subulata)
  • Flox de floresta (Phlox divaricata)
  • Erva-de-santiago-dourada (Packera aurea) 
  • Gengibre selvagem (Asarum canadense)
  • Diversas espécies de samambaias nativas

Essas plantas nativas não apenas se integram melhor ao ecossistema local, como também exigem menos manutenção.

Elas consomem menos água, dispensam fertilizantes químicos e resistem melhor a pragas — tudo isso contribuindo para jardins mais saudáveis e sustentáveis.

Uma mudança coletiva necessária

A presença contínua da hera-inglesa nas prateleiras das lojas de jardinagem revela um problema maior: a desconexão entre as práticas comerciais e a saúde ambiental.

No entanto, a pressão do consumidor pode mudar esse cenário. Quando mais pessoas deixam de comprar espécies invasoras e optam por alternativas nativas, o mercado responde.

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