Entenda qual é o dilema enfrentado pelos donos de estabelecimentos no Japão (Créditos: Shutterstock)
O ramen sempre foi um prato extremamente cultural no Japão, sendo conhecido por todo o globo. Embora os bowls de macarrão com carnes e vegetais servidos com uma apresentação incrível sejam um atrativo para os turistas e nativos, muitas lojas de ramen estão lidando com problemas de funcionamento, ao ponto de declararem falência.
Parte da questão tem a ver com o aumento dos custos de produção e a chamada “barreira dos 1.000 ienes”. No entanto, o que surgiu como benefício para os consumidores, está se tornando um grande problema para os donos. Entenda o caso!
Por que as lojas de ramen no Japão estão declarando falência?
Uma soma de fatores criou uma situação delicada e complexa para os donos de lojas de ramen no Japão, levando-os à falência. O primeiro deles é o aumento dos custos de produção, não apenas da matéria-prima, mas também de mão de obra e da energia, elementos essenciais para o funcionamento de qualquer estabelecimento do tipo.
Por conta desses aumentos, é natural que seja feito um reajuste de preço para compensar os gastos e ter algum lucro final e é nesse momento que entra a chamada “barreira dos 1.000 ienes”. Trata-se de um conceito alimentado pelo público que acredita que um ramen não deve custar mais de 1.000 ienes — aproximadamente 39 reais de acordo com o cotação atual — criando uma espécie de barreira psicológica que tem impedido os restaurantes de fazer um reajuste no preço final.
Isso vem resultando no fechamento de muitas unidades, fazendo com que mais de 70 estabelecimentos tenham declarado falência em 2024, um aumento considerável de 30% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde histórico. Muitos donos acreditam que se aumentarem o preço de seus produtos irão perder seus clientes para as lojas que ultrapassaram a barreira e cairão na falência de qualquer jeito, o que os deixa de mãos atadas.
Acontece que este é um problema que vem perdurando há alguns anos e tem sido alertado pela imprensa local e internacional. Parte do aumento de custos que vem impactando a produção vem de ingredientes essenciais, como a carne de porco, algas e o próprio macarrão. A desvalorização da moeda local, o iene, em relação ao dólar também tem somado nessa equação e piorando a situação.
Como surgiu a barreira dos 1.000 ienes?
O ramen sempre foi considerado um prato do dia básico e acessível, sendo historicamente consumido por trabalhadores, estudantes e pessoas de baixa renda. Por conta disso, esse alimento acabou ganhando a chamada “barreira dos 1.000 ienes”, que impõe uma espécie de limite psicológico para o preço de um bowl de ramen, servido com macarrão, caldo, carne e vegetais.
Esse contrato invisível entre os consumidores têm deixado os donos de estabelecimentos em um dilema: aumentar o preço de seus produtos e perder seus clientes a ponto de chegar à falência ou manter o preço e não lucrar com as vendas, o que também levaria a um grande prejuízo.
As lojas de ramen do Japão vão acabar?
Isso não significa que é o fim das lojas de ramen, pois embora a falência tenha atingido um número recorde, eles representam uma pequena parcela dos milhares de restaurantes especializados nesse prato que estão espalhados pelo país. Além disso, unidades maiores e bem estabelecidas com o público não estão tendo tanto problema assim quando precisam ultrapassar a barreira dos 1.000 ienes.
Além disso, o ramen continua sendo um símbolo da cultura japonesa, sendo muito consumido por turistas que não conhecem esse limite de valor. Também existem grandes franquias que já cobram um preço acima do esperado. No entanto, especialistas apontam que a tendência de falência pode seguir em 2025, especialmente entre os pequenos e médios empreendedores.
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