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Desejo por gelo ou terra? Entenda a Síndrome de Pica e por que ela vai muito além da fome
JoannaPor  Joanna  | Redatora

Quem a vê assumindo o papel de chef nas viagens com os amigos não imagina que a Joanna descobriu o seu talento com as panelas reproduzindo receitas do Instagram e TikTok. Tornou-se expert em receitas na prática e, agora, também é a grande responsável pelas sobremesas nos almoços em família

Transtorno alimentar faz pessoas comerem coisas que não são comida e pode trazer sérios riscos à saúde.

Desejo por gelo ou terra? Entenda a Síndrome de Pica e por que ela vai muito além da fome

Entenda por que algumas pessoas sentem desejo de comer coisas incomuns. (créditos: Shutterstock)

Você já ouviu falar da síndrome de pica? O nome pode soar estranho, e até engraçado para quem vê de fora, mas é o transtorno que faz pessoas sentirem vontade de comer coisas que não são comida. Gelo, terra, tijolo, papel-higiênico… a lista pode parecer absurda, mas esse comportamento existe, tem nome e pode trazer sérios riscos à saúde.

Esse transtorno é chamado de alotriofagia, mais conhecida como síndrome de pica, e apesar de pouco falada, afeta mais pessoas do que se imagina.

Síndrome de pica: o distúrbio alimentar que faz as pessoas comerem coisas incomuns

A síndrome de pica é um distúrbio alimentar caracterizado pelo desejo persistente de ingerir substâncias não alimentares. Quem tem alotriofagia pode sentir vontade de comer itens como:

  • papel
  • gelo
  • terra ou barro
  • tijolo
  • cabelo
  • giz, entre outros.

E não, isso não tem relação direta com “desejos esquisitos” ou modismos. Trata-se de uma condição de saúde que precisa de atenção.

Por que isso acontece?

Ainda não existe uma única explicação, mas os estudos indicam que a síndrome de pica está frequentemente associada a deficiências nutricionais, principalmente de ferro e zinco. O corpo, de alguma forma, tenta compensar a falta desses nutrientes com comportamentos incomuns.

Além disso, a alotriofagia também pode estar relacionada a:

  • transtornos mentais, como autismo e esquizofrenia;
  • déficit intelectual;
  • fragilidade emocional e falta de suporte social.
  • Gestantes e crianças são os grupos mais afetados

Não existem estatísticas globais precisas, mas os casos são mais comuns em mulheres grávidas e crianças.

Na gravidez, acredita-se que o aumento da demanda por nutrientes possa favorecer o surgimento do transtorno. No caso das crianças, é normal que algumas levem objetos à boca até os 2 anos. Faz parte do desenvolvimento.

Depois desta fase, espera-se que a criança já consiga diferenciar o que é comida do que não é. Se o comportamento persiste, pode ser um sinal de déficit nutricional ou de algum transtorno que merece investigação.

Quais são os riscos da alotriofagia?

Mesmo quando a substância ingerida não é altamente tóxica, o consumo contínuo pode causar vários problemas. Entre eles:

prejuízo na absorção de nutrientes;

agravamento de deficiências nutricionais (o que cria um ciclo: a falta de nutrientes causa a pica, e a pica piora a falta de nutrientes);

obstrução intestinal;

intoxicações;

formação de bezoares, que são acúmulos de material não digerido no estômago ou intestino.

Como é feito o diagnóstico e o tratamento?

O diagnóstico da síndrome de pica é clínico, baseado no relato da ingestão repetitiva de substâncias não alimentares por pelo menos 30 dias.

O médico geralmente solicita exames para avaliar possíveis deficiências nutricionais e verificar se houve alguma complicação. Dependendo do que a pessoa consome, exames específicos podem ser necessários.

O tratamento envolve uma abordagem multidisciplinar, com acompanhamento de psiquiatras, psicólogos e, em muitos casos, nutricionistas.

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