A alimentação saudável envolve muito mais do que escolher ingredientes da moda. (Créditos: Shutterstock)
Nas últimas décadas, a alimentação equilibrada vem perdendo espaço para os ultraprocessados, que são mais práticos, mas nem sempre melhores para a saúde. Para a Dra. María Ángeles Romero Rodríguez, professora de Tecnologia Alimentar da Universidade de Santiago de Compostela (USC), o cenário resume bem a contradição atual: “Ganhamos conveniência, mas perdemos muito”.
A especialista participou da coordenação do relatório “Alimentação Sustentável e Gestão do Território”, publicado pelo Conselho Económico e Social da Galiza, e destaca que melhorar a alimentação não depende apenas de força de vontade individual. Também é necessário criar um ambiente alimentar mais favorável, com acesso fácil a alimentos frescos. Segundo ela, essa mudança precisa aparecer em escolas, hospitais, locais de trabalho e até em residências para idosos.
Romero defende que planejar as refeições ajuda muito. Ter alimentos básicos em casa, organizar cardápios e reduzir a dependência de fast food e refeições prontas são atitudes simples que ajudam a recuperar o hábito de cozinhar.
Os mitos mais comuns sobre alimentação
Quando o assunto é nutrição, muitas ideias populares continuam circulando sem base científica. Ángeles Romero afirma que há vários mitos que atrapalham escolhas mais conscientes. Entre eles, estão a crença de que ovos aumentam o colesterol, de que comer frutas à noite engorda ou de que pão e leite fazem mal para adultos.
Ela também cita outra ideia muito difundida: “Também é comum acreditar que o açúcar mascavo, a rapadura ou o mel são mais saudáveis do que o açúcar branco, ou que produtos light e com baixo teor de gordura são saudáveis e ajudam a emagrecer. Estes são talvez os mitos mais significativos; eles carecem de embasamento científico sólido ou, às vezes, derivam de interpretações simplistas demais que frequentemente ignoram fatores cruciais como a quantidade consumida, a qualidade nutricional ou o padrão alimentar geral.”
A professora lembra ainda que dietas sem glúten não são automaticamente mais saudáveis para quem não tem doença celíaca. Para ela, o problema está justamente em tratar alimentos como bons ou ruins de forma isolada, sem considerar o conjunto da alimentação.
É possível comer bem sem gastar demais
Outro ponto que preocupa muitas famílias é o preço dos alimentos. Mesmo assim, Romero afirma que é possível manter uma dieta saudável sem que a conta do supermercado dispare. Para isso, o segredo está no planejamento das compras e na escolha de ingredientes acessíveis.
Ela recomenda priorizar alimentos básicos como leguminosas, arroz, ovos, frutas da estação, verduras e produtos locais. Esses itens costumam ter bom valor nutricional e permitem montar refeições completas gastando menos. Preparar porções maiores e evitar compras por impulso também ajudam a economizar.
A professora ainda sugere incluir opções práticas e duráveis, como vegetais congelados, legumes em conserva e peixes enlatados. Assim, fica mais fácil manter uma alimentação equilibrada mesmo nos dias mais corridos.
Para a professora, a chave não está em buscar produtos caros ou modismos alimentares, mas em mudar a forma de comprar e de organizar a cozinha. Com pequenas escolhas diárias, é possível comer melhor, gastar menos e retomar uma relação mais saudável com a comida.
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