Uma pesquisa de Harvard revelou: chá ou café, qual é melhor para o coração e o cérebro?
Por  Fausto Fagioli Fonseca  | Redator

Fausto é jornalista há mais de 15 anos, tendo trabalhado em diversos veículos com foco em saúde, alimentação, bem-estar e atividade física. Admite que não é um grande cozinheiro como as suas avós, mas tem suas receitinhas secretas!

Quando falamos de coração e cérebro, nenhuma bebida isolada faz milagres

Alimentação equilibrada continua sendo um pilar da saúde a longo prazo (Crédito: Shutterstock)

Chá ou café? A dúvida atravessa gerações e divide opiniões. Afinal, quando o assunto é proteção do coração e do cérebro, qual deles leva vantagem?

Pesquisas recentes associadas à Universidade Harvard ajudam a esclarecer. A resposta, no entanto, não é simples. Depende do órgão analisado, da quantidade consumida e até da forma como a bebida é preparada.

Para o coração, o chá pode ter leve vantagem

Diversos estudos observacionais apontam que tanto chá quanto café estão associados à redução do risco de doenças cardiovasculares. Ainda assim, algumas evidências indicam que o chá, especialmente o chá verde, pode apresentar um destaque ligeiramente maior quando o foco é o sistema cardiovascular.

Isso ocorre por causa da presença elevada de polifenóis, especialmente flavan-3-ol, compostos bioativos que ajudam a melhorar a função dos vasos sanguíneos, favorecem a elasticidade arterial e contribuem para uma melhor circulação.

Pesquisas compiladas em 2022 mostraram que o consumo regular de chá verde esteve associado à redução de fatores de risco como pressão arterial elevada e alterações nos níveis de gordura no sangue.

Especialistas em nutrição reforçam que tanto chá quanto café, quando consumidos com moderação, podem beneficiar o coração. No entanto, os polifenóis presentes no chá podem oferecer uma vantagem discreta nesse contexto específico.

Para o cérebro, o café ganha destaque

Quando a análise se volta para a saúde cerebral, o café parece assumir protagonismo. Um grande estudo conduzido pela Harvard Medical School com mais de 130 mil participantes observou que o consumo de duas a três xícaras de café com cafeína por dia esteve associado a uma redução de 15% a 20% no risco de demência.

Resultados semelhantes foram observados entre pessoas que consumiam uma a duas xícaras de chá por dia, mas os efeitos não apareceram em versões descafeinadas. Isso sugere que a cafeína pode ter papel importante na proteção neurológica.

Outro estudo de longo prazo, que acompanhou mais de 200 mil adultos de meia-idade no Reino Unido por nove anos, apontou que indivíduos que consumiam café sem açúcar regularmente apresentaram redução de:

  • 34% no risco de Alzheimer
  • 37% no risco de Parkinson
  • 47% menor risco de morte por doenças neurodegenerativas 

Especialistas em epidemiologia nutricional observam que o café possui um corpo de evidências mais robusto quando o tema é proteção cognitiva de longo prazo, especialmente em relação ao envelhecimento cerebral e à função neurológica. 

A quantidade faz toda a diferença

Tanto para chá quanto para café, a moderação é essencial. O consumo considerado seguro e potencialmente benéfico gira em torno de duas a quatro xícaras por dia. Acima disso, especialmente no caso do café, os efeitos adversos podem superar os benefícios, principalmente em pessoas sensíveis à cafeína.

Insônia, ansiedade, taquicardia e irritabilidade são sinais de que o consumo pode estar elevado demais. Se a bebida começa a prejudicar o sono, o impacto negativo pode afetar justamente os mesmos sistemas que ela ajuda a proteger.

Além disso, a forma de consumo também importa. Café e chá sem adição de açúcar tendem a apresentar os resultados mais favoráveis nas pesquisas. O acréscimo de açúcar ou xaropes pode alterar significativamente o impacto metabólico da bebida.

Então, qual escolher?

A resposta mais honesta é que não existe um vencedor absoluto.

O chá pode ter uma leve vantagem quando o foco é a saúde cardiovascular, principalmente por seus compostos antioxidantes específicos.

Já o café apresenta evidências científicas mais consistentes quando o assunto é proteção cerebral e redução do risco de doenças neurodegenerativas.

Para pessoas sensíveis à cafeína ou que têm dificuldade para dormir, o chá pode ser uma opção mais equilibrada, especialmente em versões com menor teor estimulante. Por outro lado, quem tolera bem a cafeína e consome café sem açúcar pode manter o hábito com tranquilidade dentro de níveis moderados.

Moderação é o que vale

No fim das contas, quando falamos de coração e cérebro, nenhuma bebida isolada faz milagres. Alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do estresse e sono de qualidade continuam sendo os pilares centrais da saúde a longo prazo. 

5 erros mais comuns ao beber café podem afetar o coração, a digestão, o sono e até a absorção de nutrientes, comprovados pela ciência 

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