Nutricionista: "O que aprendi atendendo mais de 300 mulheres com efeito sanfona. O problema nunca foi você"
Por  Adriana Douglas

Quem vive lutando contra a balança precisa encontrar uma abordagem alimentar que se adeque à “vida real”

Emagrecer e engordar de novo é resultado de falta de método adequado para se alimentar (Créditos: Shutterstock)

O efeito sanfona (aquele ciclo frustrante de emagrecer e voltar a engordar) costuma vir acompanhado de culpa, autocrítica e a sensação de que “o problema está em mim”. Mas, em boa parte dos casos, a dificuldade de perder peso não está na pessoa, está no método.

Segundo a nutricionista Anna Heiderscheidt, após acompanhar mais de 300 mulheres com histórico de oscilações de peso, o padrão ficou claro: a maioria não falhava por falta de força de vontade ou conhecimento; mas sim por tentar seguir estratégias incompatíveis com a vida real.

Dietas rígidas demais, metas irreais e abordagens com objetivos temporários costumam criar um ciclo inevitável de restrição, exaustão e recaída. Nesse contexto, a conclusão da especialista é direta: conhecimento sobre dieta não emagrece; estratégia aplicável e sustentável, sim!

O que realmente está por trás do efeito sanfona

Em seus atendimentos, a nutricionista observou que muitas pacientes associavam o “fracasso” no processo de perda de peso à falta de controle, de disciplina e até mesmo de capacidade. Mas uma análise mais profunda mostrou outra realidade: elas seguiam dietas extremamente restritivas, tinham metas e regras incompatíveis com a rotina e viam a comida como inimiga.

Além disso, um dos pontos mais marcantes observados pela especialista foi o peso emocional atribuído à balança. E isso é realmente algo muito comum: o número que aparece no aparelho acaba definindo humor, autoestima e sensação de sucesso ou fracasso para muita gente.

De acordo com Anna Heiderscheidt, até mesmo pequenas variações normais no peso acabavam sendo interpretadas como “tudo perdido”, levando ao abandono do plano alimentar e reforçando o ciclo do efeito sanfona.

O problema é que esse padrão cria três distorções comuns: o peso vira sinônimo de valor pessoal; comer vira motivo de culpa; e oscilações naturais parecem fracasso. Com o tempo, a relação com a comida se deteriora e o emagrecimento sustentável se torna ainda mais difícil.

O que mudou na abordagem nutricional e faz diferença no resultado

Ao longo dos atendimentos, a estratégia da nutricionista deixou de ser centrada apenas em emagrecimento e passou a focar em comportamento alimentar e consistência. Alguns pilares se mostraram decisivos:

1) Parar de focar no peso e focar nos hábitos: mudanças sustentáveis não começam na balança, mas nas rotinas diárias.

2) Criar estratégias compatíveis com a vida real: planos que ignoram trabalho, família, cansaço e rotina social tendem a falhar.

3) Ensinar a comer para sempre, não só para emagrecer: se o plano alimentar não pode ser mantido depois de emagrecer, ele não é método, é fase.

4) Tratar comida como aliada, não como vilã: restrições muito rígidas aumentam desejo, compulsão e recaídas.

Segundo Anna, quando o método muda e passa a caber na rotina, na cultura alimentar e na realidade emocional, o ciclo do efeito sanfona tende a se romper. No fim, a mudança mais importante não é apenas no corpo. É na relação com a comida, com o peso e consigo mesma. E é justamente aí que o emagrecimento sustentável começa a acontecer.

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Os 5 piores horários para subir na balança se você quer acompanhar o peso de verdade

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