O arroz requentado pode causar uma resposta glicêmica menor em algumas pessoas.
Você já olhou para aquele arroz que sobrou do almoço e pensou em jogar fora? Antes de descartar, saiba que o arroz do dia seguinte pode trazer alguns benefícios para a sua saúde. Depois de passar pela geladeira e ser reaquecido da maneira correta, ele forma o amido resistente, um tipo de carboidrato que é digerido de forma diferente pelo organismo. Mas será que isso significa que o arroz requentado é realmente mais saudável?
O que muda no arroz depois que ele esfria?
Durante o cozimento, o calor faz com que o amido do arroz absorva água e fique mais fácil de ser quebrado pelas enzimas digestivas. Por isso, o organismo consegue digerir esse carboidrato com mais rapidez.
Quando o arroz esfria, acontece um processo chamado retrogradação do amido. Parte das moléculas se reorganiza e forma o chamado amido resistente, que passa a ser digerido de uma maneira diferente.
Por resistir parcialmente à digestão no intestino delgado, esse tipo de amido chega ao intestino grosso, onde é fermentado pelas bactérias da microbiota intestinal. Estudos mostram que esse processo pode trazer benefícios para a saúde intestinal e a uma absorção mais lenta dos carboidratos.
O que a ciência descobriu sobre o arroz requentado?
Um estudo publicado na revista Asia Pacific Journal of Clinical Nutrition avaliou como o resfriamento do arroz branco cozido poderia influenciar a formação de amido resistente e a resposta glicêmica.
Os pesquisadores compararam o arroz recém-preparado com uma versão que ficou 24 horas refrigerada e depois foi reaquecida. O resultado mostrou que o arroz resfriado e aquecido novamente apresentou uma quantidade maior de amido resistente.
No estudo, o arroz fresco tinha aproximadamente 0,64 g de amido resistente a cada 100 g. Já a versão refrigerada por 24 horas e reaquecida chegou a cerca de 1,65 g por 100 g.
Além disso, entre os participantes saudáveis avaliados, essa preparação também apresentou uma resposta glicêmica menor em comparação ao arroz consumido logo após o preparo.
Apesar dos resultados, o efeito varia conforme o tipo de arroz, a quantidade consumida e os outros alimentos presentes na refeição.
Arroz requentado ajuda no controle da glicose?
O amido resistente pode ser um aliado dentro de uma alimentação equilibrada, mas não transforma o arroz em um alimento “livre” para consumo sem controle.
A quantidade ingerida e a composição do prato continuam fazendo diferença. Uma refeição com fibras, proteínas e outros nutrientes tende a ter uma digestão mais lenta e maior poder de saciedade.
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Como guardar e requentar o arroz com segurança
O aumento do amido resistente depende do resfriamento adequado. Deixar o arroz pronto em cima do fogão por muitas horas não produz o mesmo efeito e ainda pode favorecer a multiplicação de bactérias.
Para aproveitar as sobras com segurança:
Coloque o arroz em um recipiente limpo e fechado.
Divida em porções menores para acelerar o resfriamento.
Leve à geladeira o quanto antes, de preferência até duas horas depois do preparo.
Consuma em poucos dias e observe cheiro, aparência e textura antes de comer.
Reaqueça bem e evite aquecer a mesma porção várias vezes.
O estudo que avaliou o aumento do amido resistente utilizou arroz refrigerado por 24 horas. Portanto, deixar o alimento “descansando” fora da geladeira não traz o mesmo resultado e ainda aumenta o risco de intoxicação alimentar.
Quem precisa ter mais atenção?
Pessoas com diabetes, pré-diabetes ou resistência à insulina podem se beneficiar de estratégias que ajudam a reduzir o impacto dos carboidratos na refeição, mas cada organismo responde de uma forma.
Nesses casos, é importante observar a quantidade consumida, a composição do prato e buscar orientação profissional quando necessário.
O arroz requentado pode ser uma forma interessante de aproveitar melhor as sobras e incluir mais amido resistente na alimentação. Mas nenhum alimento sozinho muda a qualidade da dieta. O equilíbrio das escolhas feitas ao longo do dia continua sendo o principal fator para a saúde.