A maneira mais saudável de cozinhar peixe, segundo a ciência, e por que ela preserva mais nutrientes
Por  Adriana Douglas

O consumo de peixe ajuda no aporte de proteínas, vitaminas, minerais e gorduras “boas”, como o ômega-3

Embora não seja o mais comum, este tipo de preparo preserva o perfil nutricional do peixe (Créditos: Shutterstock)

Na hora de preparar um peixe, não é só o tempero que importa. Isso porque a forma de cozimento faz toda a diferença no resultado final, tanto para preservar nutrientes quanto para reduzir possíveis substâncias prejudiciais presentes no pescado. E a ciência parece ter a resposta certeira para essa questão.

Preparo que ajuda na redução de eventuais toxinas presentes no peixe

De acordo com pesquisas científicas, entre todos os modos de preparo de peixe, o cozimento no vapor é considerado a opção mais saudável. Um estudo conduzido pela Universidade de Sevilha, por exemplo, comparou dois métodos bastante comuns: a fervura e o vapor.

O foco da análise foi a presença de uma toxina chamada cilindrospermopsina, produzida por cianobactérias (também conhecidas como “algas azuis”) e que pode estar principalmente na carne de peixes de água doce, como a tilápia. Em humanos, dependendo da quantidade consumida, a exposição a essa substância pode causar sintomas como dor de cabeça, desidratação e diarreia, além de sobrecarga no fígado.

Os resultados da pesquisa, publicados na revista científica Food Control, mostraram que o vapor é mais eficiente na redução dessa cianotoxina. Ao cozinhar o peixe desta forma por pelo menos dois minutos, houve uma diminuição de cerca de 26% na presença da substância. Já a fervura reduziu aproximadamente 18%.

Além disso, quando o peixe é fervido, parte da toxina passa para a água do cozimento. Isso significa que, dependendo do preparo, pode haver risco de reaproveitamento dessa água em receitas – ou seja, a eliminação da toxina pode não ser tão eficiente assim. No vapor, como o alimento não fica submerso, esse contato é menor, tornando o processo mais “limpo”, segundo o estudo.

Vapor também conserva melhor os nutrientes do peixe

Outro ponto que reforça a vantagem do preparo do peixe no vapor é a preservação de nutrientes. No processo de fervura, por exemplo, vitaminas e minerais solúveis em água (especialmente as vitaminas do complexo B) podem “escapar” para o líquido do cozimento. Se essa água não for consumida, como em sopas ou caldos, parte do valor nutricional do peixe vai embora junto. Já no preparo em vapor, isso praticamente não acontece.

Vale destacar ainda que, ao preparar o peixe no vapor, a carne cozinha de maneira mais suave e uniforme, sem atingir temperaturas tão agressivas como em frituras, grelhados e assados. Isso ajuda a conservar as proteínas sensíveis ao calor e a manter melhor a estrutura das gorduras boas, como o ômega-3, que é um dos grandes benefícios do consumo de peixe.

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