O campeão mundial conta o que realmente faz diferença no preparo de uma boa sopa de ervilha. (créditos: Shutterstock)
No Brasil, a sopa de ervilha costuma aparecer no cardápio de inverno acompanhada de bacon, linguiça e outros ingredientes que deixam o prato ainda mais saboroso. Na Holanda, porém, ela é um verdadeiro clássico.
Conhecida como snert, a versão holandesa é feita com ervilhas partidas e tem uma consistência encorpada. A receita faz parte da tradição gastronômica do país e é tão importante que foi reconhecida como patrimônio cultural imaterial.
Mas qual seria o segredo para preparar uma sopa de ervilha realmente boa? Quem responde é alguém que entende do assunto. Arthur Vos, vencedor do Campeonato Mundial de Culinária de Snert e Stamppot.
Não é preciso deixar a colher em pé
Existe uma velha crença de que uma sopa de ervilha só está no ponto certo quando a colher consegue ficar parada dentro da panela. Para Arthur, isso não passa de um mito.
Segundo o campeão, uma sopa pode ficar extremamente espessa e ainda assim não ter um sabor agradável. Da mesma forma, uma preparação mais cremosa e fluida pode ser deliciosa.
O que realmente importa é o sabor e a textura das ervilhas, e não um teste com a colher.
O segredo começa nas ervilhas
Na preparação do campeão, as ervilhas partidas são a base de tudo. Elas precisam cozinhar até ficarem completamente desmanchadas. Quando isso não acontece, a sopa pode adquirir uma textura granulada, algo que prejudica bastante o resultado final.
“Elas precisam estar completamente dissolvidas. Sopa de ervilha crua não é saborosa. Dá para perceber pela textura granulada.", explica o chef em entrevista ao site holandês Margriet.
Arthur também chama atenção para a proporção entre ervilhas e água. A referência usada por ele é de 1 quilo de ervilhas partidas para 4 litros de água. Depois que elas chegam ao ponto certo, entram os demais ingredientes.
Na receita tradicional holandesa, aparecem vegetais como cenoura, alho-poró, cebola, aipo e aipo-rábano. Para quem está no Brasil, é possível adaptar a combinação com ingredientes mais fáceis de encontrar por aqui.
Bacon defumado e linguiça também combinam muito bem com a preparação e ajudam a deixar o caldo mais intenso.
E o ingrediente secreto?
É aqui que Arthur guarda a carta na manga. O ingrediente que ele usa para dar um toque diferente à sopa de ervilha é sambal, um molho condimentado bastante popular na culinária do Sudeste Asiático, especialmente na Indonésia.
A escolha foge da receita tradicional, mas tem uma função clara: acrescentar picância e profundidade ao sabor.
A quantidade pode ser ajustada de acordo com a preferência de quem vai comer. Para quem não está acostumado com comidas apimentadas, algumas gotas ou uma pequena colherada já podem ser suficientes.
No Brasil, a ideia pode ser adaptada com outros molhos de pimenta, desde que usados com moderação para não esconder o sabor das ervilhas.
Não fique mudando uma receita que já funciona
Outra recomendação de Arthur é simples: se uma receita já dá certo, não há motivo para alterá-la o tempo todo.
É comum experimentar novos temperos ou modificar quantidades em busca de um sabor ainda melhor. Mas, quando o resultado agrada, vale a pena manter o método. O campeão defende justamente essa confiança no preparo.
“As pessoas dizem que sua sopa de ervilhas está deliciosa? Então você está no caminho certo.”, afirma o Arthur.
Veja também:
Nem água fervente, nem micro-ondas: o TudoGostoso mostra a melhor forma de preparar ervilhas congeladas
TudoGostoso ensina como fazer 3 receitas queridinhas de inverno: caldo verde, sopa de ervilha e caldo de kenga