Aos poucos o consumo de pães na França vem mudando. (Créditos: Shutterstock)
A baguete é um alimento que faz parte da cultura francesa. No pós-guerra, cada francês consumia, em média, 700 gramas de pão por dia. Hoje, esse número caiu para menos de 100 gramas, o equivalente a pouco menos de meia baguete.
A mudança nos hábitos alimentares, o ritmo de vida mais acelerado e a diversificação dos alimentos estão transformando profundamente a relação do país com o pão. Nesse cenário, um novo protagonista começa a ocupar o espaço simbólico da tradicional baguete. Venha descobrir!
Novos hábitos à mesa
Pesquisas recentes mostram que mais de um terço dos franceses reduziu o consumo de pão nos últimos anos. Entre os jovens, a queda é ainda mais visível. Cozinhar em casa tornou-se menos comum, enquanto refeições fora, fast food e comidas internacionais ganharam espaço. O costume quase automático de passar diariamente na padaria para pegar um pão quentinho, antes tão natural, já não faz parte da rotina de muitos.
A baguete segue presente no imaginário coletivo, especialmente nos fins de semana ou em refeições tradicionais. No entanto, ela deixou de ser indispensável no dia a dia. Sanduíches prontos, pães de forma industrializados e soluções práticas passaram a competir diretamente com o símbolo da panificação francesa.
O pão “moderno”
Paralelamente a essa queda, surge um movimento que não representa o abandono do pão, mas sua reinvenção. As chamadas padarias artesanais apostam em grãos especiais, farinhas biológicas locais e fermentação natural longa. Em muitas delas, a baguete sequer é produzida.
Esses novos pães são grandes, vendidos a peso, duram mais dias e oferecem melhor digestibilidade. Segundo padeiros que lideram essa tendência, o sabor é mais complexo e o valor nutricional, superior. Além disso, o modelo reduz drasticamente o desperdício, um problema recorrente da baguete tradicional, que endurece rapidamente.
O meio termo
Para defensores desse novo pão artesanal, a França consome menos pão, mas de melhor qualidade. A fermentação natural, o cuidado com os ingredientes e a valorização do tempo transformaram o produto em algo mais próximo do que era feito antes do século XX.
Há, no entanto, críticas. O preço mais elevado desses pães especiais limita o acesso e cria um produto associado a um público mais urbano e de classe média. Ainda assim, especialistas do setor acreditam que tradição e inovação podem coexistir. A baguete dificilmente desaparecerá, mas já não reina sozinha.
No fim, como resumem os próprios padeiros franceses, o segredo da panificação no país sempre foi o mesmo: adaptar-se aos tempos sem perder a alma.
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