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Não pagar conta de água parece um sonho, mas é a realidade de uma cidade brasileira há 64 anos
JoannaPor  Joanna  | Redatora

Quem a vê assumindo o papel de chef nas viagens com os amigos não imagina que a Joanna descobriu o seu talento com as panelas reproduzindo receitas do Instagram e TikTok. Tornou-se expert em receitas na prática e, agora, também é a grande responsável pelas sobremesas nos almoços em família

Nenhum morador de Itapororoca, na Paraíba, paga conta de água. Mas talvez essa realidade esteja prestes a mudar.

Não pagar conta de água parece um sonho, mas é a realidade de uma cidade brasileira há 64 anos

Conheça cidade da Paraíba onde os moradores não pagam conta de água. (créditos: Shutterstock)

Já imaginou morar em uma cidade em que você não precisa pagar a conta de água? Para os moradores da cidade paraibana de Itapororoca, isso não é apenas um sonho, mas a realidade. Isso mesmo! Desde a fundação do município, em 1961, a água é distribuída gratuitamente graças a uma nascente que abastece a cidade.

Mas, depois de 64 anos desse modelo raro, o cenário pode estar prestes a mudar. O crescimento urbano e a crise hídrica estão pressionando o sistema a criar uma concessionária de abastecimento de água, que já foi aprovada, mas ainda sem data definida para entrar em vigor.

A nascente que sustenta a gratuidade há mais de seis décadas

A água de Itapororoca vem de uma nascente própria que funciona como um reservatório natural da cidade. Desde a década de 60, essa fonte abastece as residências urbanas, garantindo o fornecimento sem cobrança.

Além de atender às casas, a mesma água abastece as piscinas do Parque da Nascença, um ponto turístico e área de preservação ambiental da cidade. Esse uso múltiplo torna a gestão do recurso ainda mais delicada, especialmente em tempos de seca.

De mil famílias para mais de cinco mil residências

Quando a política de gratuidade começou, a nascente abastecia cerca de mil famílias. Hoje, a cidade já conta com mais de cinco mil residências urbanas, o que aumentou significativamente a demanda sobre a água disponível.

Apesar do histórico de resistência da nascente, que nunca secou mesmo em períodos de seca, o aumento populacional coloca o sistema sob pressão e força decisões sobre o futuro do abastecimento.

Concessão à Cagepa avança devido a forte crise hídrica na cidade

No Brasil, as tarifas de cobrança de água variam bastante. No Rio Grande do Sul, por exemplo, a média é de R$ 4,18 por metro cúbico, enquanto no Maranhão a tarifa mais baixa registrada é de R$ 1,62 por metro cúbico.

O modelo de Itapororoca, que durou mais de seis décadas, agora enfrenta um novo desafio: a crise hídrica. Com a água ficando mais escassa e a cidade crescendo, a Cagepa foi aprovada para assumir a gestão do serviço, mas não há data definida para a mudança.

Isso significa que, por enquanto, os moradores ainda vivem no sistema gratuito. Mas a aprovação indica que, cedo ou tarde, o histórico da cidade precisará ser ajustado, o que tende a gerar debates sobre o futuro da gratuidade e do uso sustentável da nascente.

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