Entenda melhor o caso e o que a indústria diz sobre o novo estudo (Créditos: Shutterstock)
O eritritol é um adoçante muito utilizado na fabricação de diversos produtos como refrigerantes, barras de proteína e sorvetes, além de também ter se tornado popular entre aqueles que querem evitar o consumo de açúcar.
Porém, um estudo recente realizado por pesquisadores da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, associando o consumo do eritritol ao risco de AVC (acidente vascular cerebral) levantou um alerta e deixou muitas pessoas preocupadas. Em momentos como esse é normal que surjam dúvidas e informações confusas. Entenda melhor o caso!
O que o novo estudo diz sobre o consumo do adoçante e os riscos à saúde?
O novo estudo da Universidade do Colorado, publicado em junho deste ano no Journal of Applied Physiology, associa o consumo do eritritol ao aumento do risco de AVC. Os pesquisadores analisaram os dados celulares de mais de 4 mil pessoas dos EUA e Europa e perceberam que os indivíduos que apresentavam um nível alto do adoçante no sangue tinham um risco maior de desenvolver doenças cardiovasculares e de acidente vascular cerebral, nos três anos seguintes.
Ao analisar o impacto do eritritol nas células que revestem os vasos sanguíneos do cérebro, os pesquisadores perceberam o aumento de uma substância que contrai esses vasos, além da redução do composto natural que dissolve coágulos no sangue. “Em termos gerais, se seus vasos sanguíneos estiverem mais contraídos e sua capacidade de decompor coágulos sanguíneos for reduzida, o risco de AVC aumenta”, explica Auburn Berry, autor do estudo.
Existem muitos estudos sobre a alimentação e o efeito de determinados produtos em nosso organismo. O novo estudo sobre o eritritol oferece novas evidências científicas sobre o adoçante, mas os pesquisadores afirmam que ainda é preciso realizar pesquisas mais aprofundadas para confirmar os efeitos do produto. Eles também recomendam atenção ao rótulo dos produtos e cautela no consumo diário.
A resposta da indústria de adoçantes no Brasil
Devido à repercussão do caso, muitas pessoas que consomem esse produto com frequência ficaram preocupadas. Por meio de nota, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (ABIAD), afirma que o eritritol é um adoçante comum em todo o mundo e que “sua segurança é respaldada por órgãos de referência em saúde em todo o mundo, como o Comitê de Especialistas em Aditivos Alimentares da FAO/OMS (JECFA), a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e a FDA (EUA)”.
Sobre as novas evidências apontadas, a associação pontua que é fundamental que elas sejam consideradas com responsabilidade, especialmente quando se trata de temas relacionados à saúde pública. “Estudos pontuais, mesmo quando conduzidos com metodologia adequada, não devem ser interpretados de forma isolada, especialmente quando envolvem associações estatísticas que ainda não demonstram relação causal nem aplicabilidade direta à população em geral”, afirmam no posicionamento.
E continuam: “Importante destacar que as pesquisas divulgadas avaliam grupos específicos de indivíduos, muitos dos quais já convivem com condições cardiovasculares prévias, o que limita a generalização dos resultados. Além disso, as quantidades de eritritol utilizadas em alguns estudos estão acima das observadas em dietas típicas, o que reforça a necessidade de mais dados em contextos de consumo real”.
“Além disso, revisões sistemáticas e meta-análises apontam que os adoçantes sem ou com baixo teor calórico, como o eritritol, podem contribuir para a redução da ingestão calórica e de açúcares, sendo aliados importantes no manejo de dietas para diabetes tipo 2 e obesidade. Tais benefícios são especialmente relevantes em contextos de saúde pública que recomendam o controle do consumo de açúcares adicionados.
Disse ainda que, no Brasil, o consumo do eritritol está aprovado pela Anvisa e que “ABIAD reforça seu compromisso com a disseminação de informações baseadas em evidências científicas de qualidade, e permanece à disposição para contribuir com o debate sobre alimentação, saúde e segurança dos ingredientes autorizados no Brasil”.
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