Irene Domínguez, tecnóloga de alimentos: "A cúrcuma sozinha é metabolizada tão rapidamente que quase não tem efeito."
Por  Adriana Douglas

A cúrcuma é um alimento já muito conhecido pelo benefícios que oferece à nossa saúde, mas existe um detalhe na forma de consumi-la que pouca gente conhece

Saiba qual é o jeito certo de incluir a cúrcuma na rotina alimentar (Créditos: Shutterstock)

A cúrcuma virou presença constante na rotina de quem segue uma alimentação saudável, seja em receitas variadas ou até nos famosos shots matinais. Conhecida pelas propriedades anti-inflamatórias, ela ganhou fama como um ingrediente quase milagroso. Mas existe um detalhe importante que muita gente desconhece: consumir cúrcuma sozinha pode reduzir bastante seus efeitos positivos no organismo.

O verdadeiro problema da cúrcuma está na absorção

Segundo a tecnóloga em alimentos Irene Domínguez, o principal composto ativo da cúrcuma é a curcumina, substância associada à ação antioxidante e anti-inflamatória. O problema é que o corpo humano consegue absorvê-la muito pouco quando ela é consumida isoladamente e isso tem a ver com a sua baixa biodisponibilidade — termo usado para indicar o quanto uma substância realmente é aproveitada pelo organismo.

Na prática, a curcumina até é absorvida no intestino, mas acaba sendo metabolizada e eliminada muito rápido. Isso significa que apenas uma quantidade muito pequena da substância consegue circular pelo corpo e agir de forma efetiva. E é justamente aqui que entra a pimenta-do-reino.

Por que a pimenta-do-reino faz tanta diferença?

A pimenta-preta contém piperina, um composto natural que ajuda a bloquear enzimas responsáveis por degradar rapidamente a curcumina. Com isso, a substância permanece mais tempo no organismo e em concentrações maiores.

De acordo com Irene Domínguez, essa combinação aumenta significativamente a biodisponibilidade da curcumina, potencializando seus efeitos. E esse mecanismo é explicado pela própria química digestiva. Não à toa muitos especialistas defendem que cúrcuma e pimenta-do-reino funcionam melhor juntas do que separadas.

Quais benefícios essa combinação pode oferecer?

Segundo especialista, a pimenta-do-reino pode turbinar os efeitos da cúrcuma em nosso organismo (Créditos: Shutterstock)

Entre os benefícios mais estudados da cúrcuma, que podem ser potencializados com a pimenta-do-reino, estão:

  • proteção das células contra os radicais livres;
  • auxílio na modulação da resposta inflamatória do organismo;
  • apoio ao sistema imunológico;
  • possível melhora de parâmetros metabólicos, como colesterol e triglicerídeos;
  • contribuição para a sensibilidade à insulina;
  • potencial apoio à memória, à função cerebral e ao humor.

Ainda assim, a cúrcuma não deve ser tratada como uma solução milagrosa. Ela pode complementar hábitos saudáveis, mas não substitui alimentação equilibrada, sono adequado, atividade física e controle do estresse.

Como consumir cúrcuma da forma correta?

Para aumentar as chances de aproveitar melhor a curcumina, a recomendação é simples e envolve três cuidados principais. Primeiro, é importante consumi-la junto com a pimenta-do-reino para que sua absorção no organismo seja mais eficiente.

Em segundo lugar, vale misturar a cúrcuma com uma gordura saudável. Isso porque a curcumina é lipossolúvel, ou seja, precisa de gordura para ser absorvida adequadamente. Por isso, vale combiná-la com azeite de oliva, abacate, castanhas, sementes ou leite vegetal.

Outro ponto essencial é consumir a cúrcuma junto das refeições para favorecer ainda mais a absorção e reduzir desconfortos digestivos. Esses ajustes simples já podem fazer uma grande diferença no dia a dia. 

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