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Uma fruta antiga de quintal da vovó está de volta nos jardins e pomares e atualmente é usada em pesquisas
Adriana DouglasPor  Adriana Douglas

Parente da goiabada e da pitanga, essa árvore dá frutos pequenos de polpa suculenta e ainda fornece uma sombra generosa

Uma fruta antiga de quintal da vovó está de volta nos jardins e pomares e atualmente é usada em pesquisas

Guabiroba (ou gabiroba) é uma frutinha típica do Cerrado brasileiro de polpa doce e suculenta (Créditos: Shutterstock)

Uma frutinha brasileira, que hoje é praticamente desconhecida de quem vive em grandes centros urbanos, está voltando a ganhar destaque em várias partes do país. Muito comum em áreas do Cerrado e da Mata Atlântica, ela vem reaparecendo nos jardins e pomares por unir sabor, beleza ornamental e potencial nutritivo que já chamou a atenção de pesquisadores.

Nativa do Brasil, a guabiroba (também chamada de gabiroba ou guabirova) é parente da goiaba, da pitanga e do araçá, e possui dezenas de variedades espalhadas pelo território nacional. Seus frutos são conhecidos por serem pequenos, arredondados e de coloração amarela quando maduros.

Já o sabor dessa espécie mistura doçura com um leve toque ácido, característica que a faz ser bastante usada no preparo de sucos, geleias, doces, sorvetes, compotas e licores artesanais. Só que muita gente que cresceu comendo guabiroba em cidades interioranas prefere mesmo a frutinha in natura, que é suculenta e tem algumas sementes por dentro.

A árvore que voltou a conquistar os quintais

A árvore da guabiroba pode atingir, em média, 10 metros de altura, com uma copa bem folhosa (Créditos: Shutterstock)

A árvore da guabiroba pode atingir, em média, 10 metros de altura, com uma copa bem folhosa (Créditos: Shutterstock)

Além da fruta saborosa, a guabiroba também tem uma aparência interessante. Sua árvore pode atingir entre 10 e 20 metros de altura e forma uma copa cheia e sombreada, ótima para áreas externas. Na época da floração, pequenas flores brancas deixam o visual ainda mais bonito, atraindo abelhas e outros polinizadores.

Esse conjunto de características tem ajudado no retorno da espécie aos jardins e pomares domésticos. Muitas famílias passaram a resgatar árvores frutíferas antigas em busca de mais contato com a natureza e também por motivos afetivos. Para muita gente, ter um pé de guabiroba em casa representa reviver lembranças da infância.

Em várias cidades do interior, existia até uma tradição conhecida informalmente como “caça à guabiroba”, quando crianças saíam em busca das frutas maduras para colher diretamente do pé. O hábito simples virou memória afetiva que atravessa gerações e hoje desperta interesse novamente.

Fruta brasileira também chama atenção da ciência

De polpa suculenta, a guabiroba é rica em vitaminas, minerais e compostos antioxidantes benéficos para o organismo humano (Créditos: Shutterstock)

De polpa suculenta, a guabiroba é rica em vitaminas, minerais e compostos antioxidantes benéficos para o organismo humano (Créditos: Shutterstock)

Outro ponto surpreendente sobre a guabiroba é o seu potencial nutricional e medicinal, que vem sendo estudado por pesquisadores brasileiros. De acordo com os achados, a fruta é rica em vitaminas (principalmente a vitamina C), minerais, carboidratos e compostos antioxidantes importantes para o organismo. Estudos também investigam possíveis propriedades anti-inflamatórias e antimicrobianas encontradas no fruto.

Já na medicina popular, as folhas e cascas da árvore são utilizadas tradicionalmente no preparo de chás para auxiliar em desconfortos digestivos e inflamações. Mais recentemente, pesquisadores da Universidade do Estado de Santa Catarina analisaram extratos da guabiroba em estudos relacionados à redução do colesterol em animais, indicando um potencial promissor para novas pesquisas.

Mesmo diante desses benefícios, os especialistas reforçam que qualquer uso da guabiroba (e outros alimentos) com finalidade medicinal deve ser acompanhado por orientação profissional, especialmente no caso de pessoas que já realizam tratamentos de saúde ou fazem uso contínuo de medicamentos.

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