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O México se junta ao Chile na introdução de uma lei federal para proibir fazendas de polvo
Stephany MarianoPor  Stephany Mariano  | Redatora

Como uma verdadeira taurina, Stephany sempre foi apaixonada por comida. No tempo livre, gosta de assistir um k-drama bem clichê, viajar, experimentar novos sabores e fotografar tudo o que encontra por aí.

A senadora Maki Ortiz busca proibir a criação de polvos, citando altos níveis de canibalismo e riscos à saúde pública

O México se junta ao Chile na introdução de uma lei federal para proibir fazendas de polvo

Entenda o motivo por trás do projeto de lei apresentado no México (Créditos: Shutterstock)

Esta é uma boa notícia para o bem-estar animal: o México apresentou um projeto de lei para proibir a criação de cefalópodes em todo o país. Os chamados cefalópodes são uma classe de moluscos marinhos que inclui polvos, lulas, chocos e náutilos. 

Apresentado pela Senadora Maki Esther Ortiz Domínguez (PVEM) e apoiado por uma coalizão internacional liderada pela Fundação Veg e pelo Instituto de Vida Aquática, o projeto busca reformar a Lei Geral de Pesca e Aquicultura Sustentáveis.

Essa medida posiciona o México como o segundo país da América Latina, depois do Chile, a legislar preventivamente contra a criação intensiva de polvos, aderindo a uma tendência global que prioriza o bem-estar animal e a saúde ambiental ao invés da expansão industrial desenfreada.

Por que o México vai introduzir a lei que proíbe fazendas de polvo?

A base principal da lei se baseia em evidências científicas e nos resultados alarmantes da única fazenda de polvos em funcionamento no Hemisfério Ocidental, localizada em Sisal, Yucatán. Após 12 anos de operação, a instalação registrou taxas de mortalidade superiores a 52%, com quase um terço das mortes atribuídas ao canibalismo resultante do confinamento. 

Esses dados, juntamente com a captura contínua de espécies selvagens e fêmeas grávidas, demonstram que o polvo, uma criatura de alta complexidade cognitiva, é biologicamente incompatível com o ambiente de criação intensiva.

Além do bem-estar animal, a legislação busca proteger a saúde humana e a economia local. Atualmente, 100% do polvo consumido no México provém da pesca artesanal, que seria substituída por uma indústria que polui os ecossistemas com efluentes e dizima as populações de peixes selvagens para alimentar esses carnívoros. 

Seguindo a abordagem "Uma Só Saúde", o projeto alerta para os riscos de resistência antimicrobiana e o perigo de doenças transmitidas por animais como a paragonimíase, já registrada em Yucatán. O caso do México não é isolado; ele se junta a exemplos internacionais, incluindo leis em estados americanos como Washington e Califórnia. Agindo através da precaução, o Senado busca intervir antes que a indústria atinja níveis irreversíveis. 

A iniciativa reconhece formalmente a capacidade dos cefalópodes de sentir emoções como prazer, dor ou medo e admite que não existem métodos humanitários de abate, tornando essa atividade um risco desnecessário para os ecossistemas e para a reputação ambiental do país.

Ao proibir a criação de polvos, o México não está apenas protegendo uma espécie inteligente, mas também estabelecendo um precedente vital: o progresso econômico não pode ocorrer à custa da integridade ecológica ou do sofrimento animal.

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