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Um homem comprou uma ilha deserta em 1962: plantou 16.000 árvores e a transformou em um santuário anti-ricos
Stephany MarianoPor  Stephany Mariano  | Redatora

Como uma verdadeira taurina, Stephany sempre foi apaixonada por comida. No tempo livre, gosta de assistir um k-drama bem clichê, viajar, experimentar novos sabores e fotografar tudo o que encontra por aí.

A Ilha Moyenne se tornou um caso único ao ser transformada em um refúgio particular

Um homem comprou uma ilha deserta em 1962: plantou 16.000 árvores e a transformou em um santuário anti-ricos

Depois de muitos anos cuidando na ilha, o local se tornou um verdadeiro santuário (Créditos: Shutterstock / YouTube @WanderingEyeFilms)

A ideia de abandonar tudo e se mudar para uma ilha é algo que quase todo mundo já considerou. No entanto, concretizar isso é outra história. Se estivermos falando de comprar uma ilha, as chances se tornam ainda menores, mas foi isso que Brendon Grimshaw decidiu fazer. Ele pagou 8.000 libras pela pequena ilha de Moyenne em 1962 (aproximadamente 200.000 libras hoje), um valor que, na época, teria sido o bastante para comprar quase três casas em sua terra natal, a Grã-Bretanha. 

Ele teria propriedades para especular, mas o mundo não teria o Parque Nacional de Moyenne. Brendon Grimshaw era um jornalista britânico que, depois de começar sua carreira em jornais populares em seu país, mudou-se para a África, onde trabalhou para importantes publicações como o East African Standard e o Tanganyika Standard. Aos 37 anos, ele tomou uma decisão drástica: decidiu comprar uma ilha de apenas nove hectares. 

Por que comprar uma ilha?

Alguns dizem que, mais do que férias, ele buscava um propósito na vida: demonstrar sua paz e amor pela natureza. A BBC menciona "proteger Moyenne do desenvolvimento urbano excessivo" como seu objetivo inicial, mas vale ressaltar que ele continuou trabalhando como jornalista e visitando a ilha nas férias até 1973. A partir daquele ano, ele se despediu da profissão e se mudou para lá para criar um paraíso natural que perdurasse.

O arquipélago de Seychelles começava a crescer como um destino turístico e, embora deserto, era apenas uma questão de tempo até que alguém chegasse e construísse um resort. Moyenne mudou tudo. A ilha esteve desabitada por meio século, com exceção de uma família de pescadores, e encontrava-se em estado de abandono devido à negligência e à excessiva intervenção humana. Estava repleta de vegetação rasteira impenetrável, onde haviam espécies invasoras, como ele próprio relata no documentário "Um Grão de Areia".

Ele não estava sozinho nessa missão: trabalhou lado a lado com o morador local René Antoine Lafortune, um jovem de 19 anos daquela família de pescadores. Demolir tudo e construir um hotel cinco estrelas é muito mais fácil do que restaurar um ecossistema, algo que lhe levou uma vida inteira, literalmente, porque Grimshaw morreu aos 87 anos.

Um plano de restauração que levou uma vida inteira

Suas áreas de atuação podem ser divididas em três: reflorestamento em larga escala com espécies nativas, combate à infestação de ratos e implementação de infraestrutura. Em "Um Grão de Areia", ele relata como a vegetação rasteira era tão densa que um coco que caísse de uma árvore não alcançaria o chão, e que restavam apenas quatro árvores nativas altas, conforme contou em entrevista à BBC. 

Então, eles plantaram mais de 16.000 árvores manualmente, incluindo espécies como mogno, palmeiras e outras espécies que haviam desaparecido da ilha. No documentário, ele relata como o silêncio, causado pela ausência de vida selvagem, o impressionou: a falta de árvores frutíferas nativas e a densa vegetação tornavam o local pouco atraente para pássaros, que buscam um local seguro e com alimento. 

A reintrodução de espécies nativas e a restauração da flora atraíram mais de 200 espécies de aves. Grimshaw também explicou que, quando chegou, não havia nenhuma das tartarugas-gigantes que agora são um dos destaques da ilha. Ele introduziu e criou tartarugas-gigantes-de-aldabra de outras ilhas do arquipélago, marcando-as para acompanhar seu crescimento.

O interesse na ilha cresceu depois das transformações feitas por Grimshaw e Lafortune (Créditos: Shutterstock)

O interesse na ilha cresceu depois das transformações feitas por Grimshaw e Lafortune (Créditos: Shutterstock)

Para melhorar a acessibilidade, ele também investiu na construção de quase cinco quilômetros de trilhas, fazendo tudo praticamente com picareta e pá. Na década de 1980, ele recebeu muitas ofertas de compra da ilha, incluindo uma de um príncipe saudita que teria oferecido até 50 milhões de dólares. A resposta de Brendon Grimshaw descartou negociações: "A ilha não está à venda". 

O ex-jornalista estava ficando mais velho e não tinha filhos, então, em 2009, após o falecimento de René, ele convenceu o governo das Seychelles a declarar a Ilha Moyenne como Parque Nacional, garantindo assim a proteção legal da ilha e sua preservação.

Hoje, Moyenne possui uma importância biológica essencial para o arquipélago de Seychelles: serve como banco de sementes e refúgio para espécies, já que, enquanto outras ilhas estão repletas de resorts, lá não há lojas, restaurantes ou hotéis, apenas um restaurante simples para aqueles que fazem um passeio de um dia até a ilha a partir de ilhas vizinhas.

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