Festas de Agosto de Montes Claros são uma das mais antigas tradições no estado de Minas Gerais. (Crédito: Fábio Marçal / Gov MG)
Durante o mês de agosto, as festas realizadas em Montes Claros, no norte de Minas Gerais, deixam a cidade enfeitada com fitas coloridas, trajes típicos, músicas instrumentais e fé de sobra. As celebrações folclóricas, ancoradas na religião católica, atraem turistas de todo o Brasil para missas, cortejos e desfiles populares pelo município. Paralelamente, a cidade também sedia o Festival Folclórico de Montes Claros.
Os principais homenageados no período pelos grupos de catopês, marujos e caboclinhos são Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e o Divino Espírito Santo, uma tradição que é repassada de geração em geração e acontece anualmente.
O que são as Festas de Agosto de Montes Claros?
As Festas de Agosto são uma das mais antigas tradições de Minas Gerais e ocorrem em Montes Claros há mais de 180 anos. Documentos oficiais apontam que sua primeira edição foi realizada por volta do ano de 1839.
O evento surgiu a partir do culto ao Rosário, que tem origem na ordem dos Dominicanos, e ao seu fundador, São Domingos de Gusmão. Este culto chegou aqui ao Brasil através da ação missionária durante a colonização do nosso território e logo foi absorvido pela classe mais pobre e pelos negros.
As Festas de Agosto ajudam a preservar a cultura e também a elevar a autoestima dos trabalhadores locais. Os principais astros do evento são os mestres dos grupos catopês, marujos e caboclinhos. O mais famoso e importante de todos foi João Pimenta dos Santos, o Mestre Zanza, que morreu em outubro de 2021, aos 88 anos.
Quem foi o Mestre Zanza?
Mestre Zanza era um tradicional líder cultural em Montes Claros. Sua relação com as Festas de Agosto começou em sua vida muito cedo, quando ele tinha mais ou menos 5 anos. Foi ali que ele participou da manifestação artística pela primeira vez.
Com o passar dos anos, Mestre Zanza se tornou o principal líder dos catopês, nome dado ao grupo que luta para manter viva as tradições africanas. Era ele quem comandava o primeiro terno de Nossa Senhora do Rosário e presidia a Associação dos Grupos Catopês, Marujos e Caboclinhos.
Zanza dedicou a vida ao grupo, que teve início com seu avô, um homem que foi escravizado. Quando o patriarca morreu, a liderança do grupo passou para o pai de Zanza, que foi a óbito quando ele tinha apenas 17 anos. De geração em geração, as Festas de Agosto chegaram às mãos do líder.
Catopês, Marujos e Caboclinhos: o que são?
Os Catopês simbolizam a pessoa nativa da África que foi levada a pulso ao Brasil. Nas Festas de Agosto, costuma-se identificar o grupo por causa da sua roupa branca tradicional, enfeitada com fitas coloridas.
Os marujos, por sua vez, representam os grandes feitos náuticos dos cristãos e usam roupa branca ou vermelha e azul. Já os caboclinhos simbolizam os povos originários. Por isso, vestem penas e cocar.
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