Lucy Mara se tornou referência no mercado mundial de cultivo de batata-doce (Fotos: Shutterstock; reprodução Instagram)
O cultivo de batata-doce mudou a vida de uma enfermeira no interior de São Paulo e fez ela se tornar uma referência no mercado mundial. Lucy Mara fez história com esse vegetal amado não apenas pelos atletas, mas por quem aprecia o sabor deste alimento.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção de batata-doce no Brasil praticamente dobrou entre 2009 e 2023, de 477,4 mil para 925,6 mil toneladas.
E esse aumento expressivo foi impulsionado pelo interesse do mercado interno e pelas oportunidades de exportação.
Com visão estratégica, Lucy Mara (@lucymara), de Pirapozinho (SP), entendeu que era o momento de virar o jogo. Conheça a história inspiradora dessa empreendedora!
Lucy Mara é um dos principais nomes da cadeia produtiva da batata-doce
Foram dez anos dedicados à enfermagem, sua área de formação. Ela só não esperava receber um convite de seu pai, há cerca de nove anos, para ajudá-lo na lavoura. E ela foi.
Hoje, seu trabalho ajuda a fortalecer o papel do Sudeste, e do próprio estado de São Paulo, como o segundo maior produtor brasileiro de batata-doce.
"Meu pai sempre falava que, se eu quisesse ganhar dinheiro, tinha que plantar uma única variedade, aquela comum, de casca branca ou rosada e polpa branca. Mas eu via a batata-doce colorida como um produto diferente, com um potencial enorme de valor nutricional. Quis fazer diferente", contou em entrevista ao Estadão.
E com esse olhar visionário, ela atualmente cultiva seis variedades de batata-doce e vende para mercados nacionais e internacionais, saindo do interior paulista para locais como Holanda, Canadá, Uruguai, Argentina e Paraguai.
Lucy destaca a importância da governança e de estudar
O pai de Lucy foi um dos primeiros a investir no cultivo de batata-doce na região, após fracassos com outras culturas.
"O produtor é resiliente. Ele investe tudo, até o que não tem. Sabe que pode perder, mas não desiste", afirma a produtora.
O segredo para fazer dar certo? Unir a paixão e a gestão: "Paixão não põe dinheiro na conta, mas dá forças para seguir. Por isso, a importância da governança, de diversificar, de estudar."
O poder nutricional da batata-doce conquistou a enfermeira
O interesse de Lucy pela batata-doce cresceu durante o período em que trabalhava como enfermeira, atendendo crianças em fase de crescimento.
Ela costumava recomendar papinhas feitas com ingredientes nutritivos, como é o caso da batata-doce, beterraba, couve. Ao ingressar na agricultura, ela manteve o foco nesses alimentos.
"Fui estudar e vi que a batata-doce colorida tem betacaroteno, antocianina, flavonoides, triptofano, vitaminas B6, B12… É uma infinidade de nutrientes. Eu queria produzir algo que fizesse bem pra quem consome", explica.
Lucy enfrenta desafios no campo, como a escassez de mão de obra qualificada. A colheita semimecanizada da batata-doce exige cerca de 20 pessoas por dia, mas é difícil encontrar quem queira e saiba trabalhar na lavoura.
"O problema não é só encontrar gente. É encontrar quem queira trabalhar e esteja qualificado. As novas gerações querem atuar da porteira para fora. Mas quem vai pôr a mão na terra?", questiona.
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