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Daniel Cady, nutricionista: "Será que faz mal esquentar comida no micro-ondas? Muita gente acha que ele deixa tudo tóxico, mas o que é ruim mesmo é..."
Fausto Fagioli FonsecaPor  Fausto Fagioli Fonseca  | Redator

Fausto é jornalista há mais de 15 anos, tendo trabalhado em diversos veículos com foco em saúde, alimentação, bem-estar e atividade física. Admite que não é um grande cozinheiro como as suas avós, mas tem suas receitinhas secretas!

O micro-ondas não é um vilão da saúde, e sim uma ferramenta segura quando usada corretamente

Daniel Cady, nutricionista: "Será que faz mal esquentar comida no micro-ondas? Muita gente acha que ele deixa tudo tóxico, mas o que é ruim mesmo é..."

O que é ruim não é o micro-ondas, e sim aquecer em embalagens plásticas... (Crédito: Shutterstock) 

O micro-ondas é um dos eletrodomésticos mais usados nas cozinhas, mas também um dos que mais geram dúvidas. Entre mitos e desinformação, ainda há quem acredite que ele “deixa a comida tóxica” ou “causa câncer”.

No entanto, segundo o nutricionista Daniel Cady, essas ideias estão longe da verdade: o perigo, na maioria das vezes, está em outro lugar: nas embalagens e nos alimentos ultraprocessados feitos para esse tipo de preparo.

O micro-ondas não é o problema

“O micro-ondas apenas aquece a comida através da vibração das moléculas de água”, explica Cady. Ou seja, ele não altera a composição natural dos alimentos, apenas acelera o aquecimento ao movimentar as moléculas internas, de forma semelhante ao que acontece quando se aquece algo no fogão.

“Não tem radiação perigosa, não deixa resíduos e nem causa câncer”, reforça o nutricionista. A confusão ocorre porque o nome “radiação” costuma causar medo, mas o tipo de energia usado no micro-ondas não é ionizante, ou seja, não é capaz de alterar o DNA das células humanas nem provocar mutações, diferente, por exemplo, da radiação nuclear ou dos raios ultravioleta em excesso.

O verdadeiro problema está nas embalagens plásticas

Segundo Cady, o risco está em aquecer alimentos em recipientes inadequados, principalmente os de plástico comum. “O que é ruim não é o micro-ondas, e sim aquecer em embalagens plásticas que liberam ftalatos e bisfenol A (BPA), que são desreguladores endócrinos, ou seja, criam distúrbios hormonais.”

Essas substâncias químicas são usadas na fabricação de muitos tipos de plástico e, quando expostas ao calor, podem migrar para o alimento. A longo prazo, a ingestão frequente pode interferir na produção de hormônios, aumentar o risco de problemas de fertilidade, alterações metabólicas e até contribuir para doenças hormonais. 

Por isso, a orientação do especialista é simples e eficaz: “O certo é usar utensílios de vidro ou de cerâmica". Esses materiais não liberam compostos tóxicos, resistem bem à variação de temperatura e são fáceis de limpar, além de manterem melhor o sabor dos alimentos.

Cuidado também com os produtos “prontos para micro-ondas”

Outro ponto de atenção destacado pelo nutricionista é o consumo frequente de alimentos ultraprocessados desenvolvidos especificamente para o micro-ondas, como pipocas de saquinho, lasanhas prontas e refeições congeladas. “Esses produtos costumam ser ricos em gordura trans, sódio e aditivos químicos”, alerta.

A chamada “pipoca de micro-ondas”, por exemplo, costuma conter óleos hidrogenados e aromatizantes artificiais que, ao serem aquecidos, liberam compostos voláteis potencialmente inflamatórios.

Além disso, as embalagens desse tipo de produto frequentemente contêm camadas internas de plástico e papel tratados com substâncias resistentes à gordura, que também podem migrar para o alimento durante o aquecimento.

Como usar o micro-ondas com segurança

O micro-ondas continua sendo uma ferramenta útil e segura, desde que utilizado com cuidado. Seguindo algumas recomendações simples, ele pode ser um grande aliado da rotina:

  • Prefira recipientes de vidro, cerâmica ou porcelana: nunca aqueça comida em potes plásticos descartáveis ou com tampa selada
  • Evite utensílios metálicos e papel-alumínio, que podem provocar faíscas
  • Cubra o alimento com tampa de vidro ou prato, para evitar respingos e aquecimento desigual
  • Misture ou vire a comida na metade do tempo, garantindo que aqueça por igual
  • Evite ultraprocessados com frequência: priorize refeições frescas e caseiras

Esses cuidados simples reduzem qualquer risco de contaminação e ajudam a preservar o valor nutricional das refeições.

O vilão é outro... 

O micro-ondas não é um vilão da saúde, e sim uma ferramenta segura quando usada corretamente. O que exige atenção são as embalagens plásticas inadequadas e os produtos industrializados criados para uso no aparelho, que concentram gorduras ruins, sódio e compostos químicos desnecessários.

Usar utensílios de vidro ou cerâmica e apostar em comidas frescas é o caminho para aproveitar a praticidade do micro-ondas sem abrir mão da saúde!

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