Cerveja foi desenvolvida por monges beneditinos do Mosteiro de São Bento de Mussurepe (Créditos: Shutterstock)
Quando pensamos em cerveja e igreja, a última coisa que imaginamos é que elas tenham algo em comum — além da rima. Mas e se eu te contasse que existe uma cerveja “santa”, feita por monges? No Rio de Janeiro, os monges beneditinos do Mosteiro de São Bento de Mussurepe, em Campos dos Goytacazes, criaram uma cerveja artesanal chamada Claustrum.
Recentemente, eles firmaram parceria com a cervejaria Ranz, em Lumiar, na Região Serrana, para que ela passe a ser produzida e engarrafada pela empresa. Monges produzindo cerveja pode parecer uma situação inusitada para muitas pessoas, mas a explicação tem a ver com raízes profundas na história da Igreja. Confira!
De onde vem a tradição da igreja fazer cerveja?
A relação entre monges e cerveja vem desde a Idade Média, quando a bebida começou a ser produzida e aperfeiçoada dentro dos mosteiros. Desde então, os religiosos mantêm um vínculo profundo com a cultura cervejeira, dando origem às chamadas cervejas monásticas.
Entre elas, as mais famosas são as cervejas trapistas, feitas por um seleto grupo de mosteiros da Ordem Trapista. Diferente das cervejas comuns, essas bebidas seguem parâmetros, regras e ritos da Igreja, preservando tradições históricas e, muitas vezes, receitas que atravessaram séculos.
A produção costuma ser artesanal, em pequena escala, e tem raízes principalmente na Europa, com destaque para a Bélgica, onde mosteiros trapistas e beneditinos se tornaram referência mundial. No caso das trapistas, que formam um subgrupo das monásticas, existe até um selo oficial, garantindo que a cerveja foi fabricada dentro de um mosteiro trapista, sob supervisão direta dos monges.
Como surgiu a cerveja dos monges de Campos dos Goytacazes?
Em entrevista ao jornal Extra, o atual prior da comunidade monástica, Dom João Crisóstomo Maria, explicou que aprenderam mais sobre o assunto com um mestre cervejeiro especializado em bebidas e comidas do período medieval. Eles fizeram um curso de imersão e aprenderam sobre toda a estrutura da produção, como funcionava e as diferentes escolas cervejeiras.
Ao perceber que Campos tinha uma cultura cervejeira forte, decidiram colocar os aprendizados e a tradição em prática. “Essa produção é uma forma de subsistência da nossa comunidade monástica e também cumpre o que o Nosso Pai São Bento determinou, que é o trabalho manual dos monges”, afirma Dom. A primeira leva da Claustrum foi pequena: somente 70 garrafas de 500ml. Surpreendentemente, o lote esgotou em uma hora.
Segundo os monges, a mudança para Lumiar não afasta o vínculo com a cerveja. A bênção em latim, realizada no início de cada fermentação, continuará sendo feita, mesmo com os cerca de 200 quilômetros que separam o Mosteiro de São Bento de Mussurepe da nova unidade de produção.
Além da Claustrum, os monges também se dedicam à fabricação de massa artesanal, sabão líquido e, mais recentemente, iniciaram uma pequena produção de licores de morango e limão-siciliano, além de pães de longa fermentação. Há ainda planos para criar edições sazonais da cerveja.
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