Produtos processados, como embutidos, bacon e frios, não são a melhor opção
A proteína virou quase sinônimo de alimentação saudável. Iogurtes, bebidas, barras, pães e até sobremesas aparecem nas prateleiras com versões enriquecidas. Só que essa lógica tem limite.
Em entrevista ao jornal finlandês Ilta-Sanomat, o nutricionista Jan Verho chama atenção justamente para o excesso. Segundo ele, para a maioria das pessoas, o objetivo deveria ser atingir a necessidade individual e distribuir boas fontes ao longo do dia, não acumular proteína sem necessidade.
Mais proteína não significa automaticamente mais saúde ou músculos
A proteína é indispensável para formação e manutenção de músculos e tecidos, além de participar da produção de enzimas, hormônios e outras estruturas do organismo. A necessidade, entretanto, varia conforme peso, idade, nível de atividade física, objetivo e condição de saúde.
A referência para adultos saudáveis de 18 a 69 anos é de aproximadamente 0,83 g de proteína por quilo de peso ao dia. Pessoas que praticam treinamento de força ou endurance, idosos e indivíduos em determinadas situações podem precisar de quantidades maiores, por isso não existe um número único apropriado para todos.
O problema começa quando a busca por proteína deixa de complementar a alimentação e passa a ocupar espaço de outros nutrientes importantes. Uma dieta não fica equilibrada simplesmente porque apresenta uma quantidade elevada de frango, ovos, whey protein ou produtos enriquecidos.
Exagerar pode tirar espaço de carboidratos, gorduras e fibras
Um dos problemas mais práticos de uma dieta exageradamente proteica é o efeito de substituição. Se grande parte das calorias vem de proteína, pode faltar espaço para carboidratos, gorduras de boa qualidade, vegetais, frutas e cereais integrais.
Segundo Verho, uma ingestão insuficiente de carboidratos pode aparecer como cansaço ou dificuldade de recuperação em algumas pessoas fisicamente ativas. Já reduzir demais as gorduras pode prejudicar funções importantes, inclusive a absorção de vitaminas lipossolúveis.
Proteína demais faz mal aos rins?
Para uma pessoa saudável, ultrapassar eventualmente a própria necessidade não costuma representar um problema importante. O alerta é diferente quando o excesso é persistente ou quando já existe alguma condição renal.
O metabolismo das proteínas gera compostos nitrogenados que precisam ser processados pelo organismo e eliminados pelos rins. Por isso, pessoas com doença renal ou redução da função dos rins podem precisar de orientação específica sobre a quantidade adequada.
A fonte de proteína também importa
Olhar apenas o número de gramas é outro erro. Duas refeições podem entregar a mesma quantidade de proteína e ter perfis nutricionais completamente diferentes. Entre as opções que podem compor uma alimentação variada estão:
- Ovos, leite, iogurte e outros laticínios
- Peixes e carnes frescas
- Feijão, lentilha, ervilha e grão-de-bico
- Tofu e outros derivados da soja
- Castanhas e sementes como complemento
Verho destaca que produtos processados, como embutidos, bacon e frios, não são boas escolhas para transformar em principal fonte diária de proteína. Além do nutriente desejado, podem carregar quantidades elevadas de sal e gorduras saturadas.
Cuidado com o exagero
Quem já consome ovos, leite, carnes, leguminosas e outros alimentos proteicos ao longo do dia pode atingir facilmente sua necessidade sem recorrer a versões enriquecidas de tudo que compra.
Suplementos e produtos proteicos têm utilidade quando resolvem uma necessidade concreta: praticidade, dificuldade de atingir a meta alimentar ou demanda aumentada pelo treinamento, por exemplo.
Fora disso, acrescentar proteína apenas porque o rótulo anuncia uma dose enorme não necessariamente melhora a alimentação.
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