Pode cortar o mofo do queijo e comer o resto? Saiba quais tipos você pode salvar e quais devem ir direto para o lixo
Por  Adriana Douglas

Em certos alimentos, o mofo consegue penetrar mais profundamente e espalhar toxinas que podem fazer mal à saúde

Alguns queijos têm fungos adicionados em sua fabricação para ficarem com um sabor e textura específicos (Créditos: Shutterstock)

Quem nunca passou pelo inconveniente de abrir a geladeira e se deparar com um queijo mofado? Nessas situações, muita gente não pensa duas vezes antes de jogá-lo diretamente no lixo – mesmo que ele ainda esteja inteiro. Mas, afinal, será que todo queijo com bolor deve ser descartado ou dá para aproveitar alguma coisa?

Antes de cortar a parte mofada e seguir consumindo o queijo, é preciso saber que essa prática nem sempre é segura. Na verdade, tudo depende do tipo de queijo. Enquanto alguns podem, sim, ser aproveitados após remover a área contaminada, outros realmente devem ser descartados por completo.

Nem todo mofo no queijo é motivo para preocupação

Queijos curados ou de massa mais dura dificultam a disseminação dos fungos e podem ser aproveitados após o descarte do bolor (Créditos: Shutterstock)

A primeira coisa a entender é que existem queijos produzidos justamente com a ajuda de fungos. É o caso do gorgonzola, brie e camembert, que recebem culturas específicas durante a fabricação.

Esses fungos fazem parte da receita e são responsáveis pelo sabor marcante, pelo aroma característico e pela textura desses queijos. Ou seja, nesse caso, o mofo é totalmente seguro e esperado. O problema surge quando o mofo aparece em um queijo que não deveria tê-lo.

Quando o queijo mofado pode ser aproveitado?

Se o mofo aparecer em um queijo mais duro e curado, como parmesão, gouda e provolone, ainda é possível aproveitar o restante. Isso acontece porque esses queijos têm pouca umidade e uma estrutura bastante compacta, o que dificulta que o fungo se espalhe profundamente.

Nesses casos, a recomendação é:

  1. Cortar aproximadamente 2 a 3 centímetros ao redor e também abaixo da área mofada;
  2. Utilizar uma faca limpa para fazer o corte, evitando levar esporos para outras partes do queijo;
  3. Descartar toda a parte contaminada antes de consumir o restante.

Mesmo assim, se o queijo apresentar cheiro estranho, mudança intensa de cor ou textura incomum, o mais seguro é jogar tudo fora.

E em quais queijos o mofo é um sinal de descarte?

Mussarela, ricota, requeijão e outros queijos frescos ou cremosos não devem ser consumidos se estiverem com mofo (Créditos: Shutterstock)

Nos queijos frescos, macios, cremosos ou fatiados, a história é bem diferente. Entram nessa lista alimentos como mussarela, ricota, queijo minas frescal, requeijão, cream cheese e queijos fatiados em geral.

Nesses produtos, o alto teor de umidade permite que o fungo se espalhe rapidamente pelo interior do alimento. E o que aparece na superfície é apenas uma pequena parte do problema.

Os chamados "filamentos" do fungo podem penetrar profundamente no queijo e, em alguns casos, produzir micotoxinas, substâncias que podem oferecer riscos à saúde. Por isso, retirar apenas a parte visível do bolor não elimina a contaminação. A orientação mais segura é descartar todo o queijo.

A mesma regra vale para outros alimentos

Essa recomendação de descarte, aliás, também serve para alimentos muito úmidos, como pão, frutas macias, iogurtes e até geleias. Neles, o mofo costuma se espalhar além do que os olhos conseguem enxergar. E remover apenas a parte afetada não garante que o restante esteja seguro para consumo.

alimentos mais firmes e menos úmidos, como cenoura, repolho, pimentão e maçã, oferecem uma margem maior para remoção da área contaminada, desde que o corte seja generoso. Seguir essas orientações ajuda a evitar riscos desnecessários e garante que o consumo de queijo e outros alimentos continue sendo saboroso e, principalmente, seguro.

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