Natural, mas ainda é açúcar: o que o consumo diário de mel pode causar
Por  Adriana Douglas

Mesmo sendo um alimento natural, o mel é rico em açúcares e exige moderação

Mel tem muitos benefícios, mas seu consumo deve ser moderado (Créditos: Shutterstock)

Não é de hoje que o mel é visto como uma alternativa mais saudável ao açúcar refinado. Usado há séculos na alimentação, ele ganhou fama de “remédio caseiro” para diversos problemas, além de ser um produto natural. Mas, apesar da boa reputação, é importante lembrar de um detalhe essencial: mel ainda é, principalmente, açúcar.

De acordo com a ciência, consumir mel todos os dias pode trazer alguns benefícios à saúde. No entanto, esse hábito exige moderação. Descubra o que realmente acontece no corpo quando o alimento entra na rotina alimentar e qual é a quantidade diária recomendada pelos especialistas.

O que pode acontecer ao consumir mel todos os dias

O mel é formado, em grande parte, por açúcares naturais, principalmente frutose e glicose. Além disso, ele contém pequenas quantidades de outras substâncias, como enzimas produzidas pelas abelhas, ácidos orgânicos, compostos antioxidantes, vitaminas e até minerais em baixa quantidade. Ele também tem uma porcentagem de água, que normalmente não ultrapassa 20%. 

Por causa da alta concentração de açúcar, o mel é um alimento bastante energético: 100 gramas têm cerca de 300 calorias. Só que, mesmo sendo calórico, alguns estudos sugerem que o consumo moderado de mel pode trazer efeitos positivos para a saúde. Entre os benefícios do alimento observados em pesquisas estão:

Favorecimento da saúde metabólica

Alguns estudos indicam que o mel pode melhorar a sensibilidade à insulina e reduzir o estresse oxidativo no organismo. Esses fatores estão ligados à melhora da saúde metabólica e do funcionamento do sistema cardiovascular.

Melhora de alguns indicadores do colesterol

Uma análise científica publicada em 2022 sugeriu que o mel natural (sem aditivos ou açúcares adicionados) pode contribuir para melhorar o perfil lipídico, que inclui colesterol e triglicerídeos.

Contribuição para a saúde intestinal

Certos compostos presentes no mel parecem favorecer o equilíbrio da microbiota intestinal, de acordo com uma análise realizada por pesquisadores australianos. Esse efeito pode ajudar no funcionamento do sistema digestivo.

Reforço na cicatrização

O mel já é utilizado há muito tempo em tratamentos de feridas, e algumas pesquisas apontam que ele pode ajudar no processo de cicatrização e na redução de inflamações.

Os possíveis riscos do consumo diário de mel

Apesar dos possíveis benefícios, consumir mel todos os dias também pode trazer algumas desvantagens, principalmente quando a quantidade é exagerada. Quem consome grandes porções de mel acaba ingerindo muitas calorias e açúcar ao longo do dia, o que pode favorecer o ganho de peso e problemas metabólicos.

Além disso, aquecer o mel pode trazer alguns prejuízos. Quando ele é submetido a temperaturas muito altas (acima de 120°C), podem ocorrer reações químicas que formam substâncias indesejadas, como a acrilamida, associada a riscos à saúde. Por isso, o ideal é evitar esquentar demais o produto.

Qual seria uma quantidade segura de mel por dia?

Em termos gerais, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo de açúcar não deve ultrapassar 10% das calorias diárias. Em uma dieta de aproximadamente 2.000 calorias, isso representa cerca de 50 gramas de açúcar por dia.

Considerando que o mel contém cerca de 74 gramas de açúcar a cada 100 gramas, esse limite corresponderia aproximadamente a 6 ou 7 colheres (chá) de mel – caso ele fosse a única fonte de açúcar do dia. Na prática, como a maioria das pessoas também consome açúcar em outros alimentos, o ideal é ingerir quantidades ainda menores de mel.

Em resumo, o mel não é um alimento obrigatório para a saúde, mas pode fazer parte de uma dieta equilibrada quando consumido com moderação. Na hora de comprar, o ideal é optar por produtos naturais e orgânicos, o que garante qualidade e reduz o risco de contaminação por pesticidas.

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