Frutas escolhidas por 4 endocrinologistas para um melhor controle do açúcar no sangue, e uma delas reduz a gordura abdominal
Por  Adriana Douglas

Quatro especialistas apontam opções nutritivas que ajudam a manter a glicemia mais equilibrada e podem contribuir para a saciedade e a saúde metabólica

As frutas podem, sim, fazer parte da alimentação de quem precisa controlar a diabetes, mas alguns fatores devem ser considerados (Créditos: Shutterstock)

O açúcar natural das frutas costuma gerar dúvidas para quem precisa ficar de olho na glicemia. Mas isso não significa que seja necessário cortar as frutas da alimentação. Pelo contrário: quando consumidas inteiras e em porções adequadas, elas podem fazer parte de uma rotina equilibrada.

O segredo está em olhar para o alimento como um todo. Além dos carboidratos naturais, frutas também oferecem fibras, vitaminas, minerais e compostos antioxidantes que influenciam a forma como o organismo lida com a glicose.

Quatro endocrinologistas destacam algumas opções que costumam aparecer em suas próprias rotinas. E há uma fruta que chama atenção por estar associada até mesmo a uma possível redução da circunferência da cintura.

Frutas vermelhas: pequenas, nutritivas e cheias de fibras

Morangos, mirtilos, amoras e framboesas estão entre as frutas mais interessantes para quem busca refeições e lanches com menor impacto glicêmico. Elas fornecem fibras e antioxidantes e, em geral, possuem uma quantidade relativamente baixa de açúcar por porção.

A endocrinologista Ruchi Mathur conta que costuma escolher um punhado de frutas vermelhas frescas. As fibras ajudam a tornar a digestão e a absorção dos carboidratos mais graduais, enquanto os antioxidantes contribuem para a proteção das células contra o estresse oxidativo.

Uma combinação simples pode deixar o lanche ainda mais completo: frutas vermelhas com iogurte natural. A presença de proteína ajuda a aumentar a saciedade e pode contribuir para uma resposta glicêmica mais gradual.

E não é preciso esperar a temporada das frutas frescas. As versões congeladas também podem ser uma alternativa prática e nutritiva, desde que não tenham açúcar adicionado.

Banana: prática para comer fora de casa

A banana costuma levar fama de fruta muito açucarada, mas ela também entrega fibras, potássio e vitamina B6. Por isso, pode ser uma opção muito mais interessante para o lanche do que bebidas açucaradas ou doces ultraprocessados.

Para a endocrinologista Isabel Casimiro, a praticidade é um dos principais pontos positivos da fruta. Ela pode ser consumida praticamente em qualquer lugar e não exige preparo.

Uma estratégia interessante para quem deseja evitar uma elevação mais rápida da glicose é não comer a banana isoladamente. Associá-la a uma fonte de proteína ou gordura, como pasta de amendoim, castanhas ou amendoim torrado, pode deixar o lanche mais completo e prolongar a sensação de saciedade.

A quantidade também importa. Mesmo sendo nutritiva, a banana contém carboidratos e deve ser encaixada na alimentação de acordo com as necessidades individuais.

Pera: fibras que ajudam na saciedade

A pera é outra fruta que aparece entre as escolhas das especialistas. Ela apresenta baixo índice glicêmico, ou seja, tende a provocar uma elevação mais lenta da glicose no sangue quando comparada a alimentos de maior impacto glicêmico.

Boa parte desse efeito está relacionada às fibras presentes na fruta. Elas ajudam a retardar a digestão e a absorção dos carboidratos. A pera também fornece polifenóis, compostos bioativos que vêm sendo estudados por sua possível relação com a sensibilidade à insulina.

A endocrinologista Silvana Obici sugere consumir a fruta sozinha ou combiná-la com alimentos ricos em proteínas e gorduras, como iogurte natural, queijo, cottage, peito de frango, peito de peru, castanhas ou pasta de amendoim.

E existe outro detalhe curioso: estudos citados pela especialista associaram o consumo de duas peras frescas por dia a uma redução da circunferência da cintura e a um menor risco de desenvolver diabetes. Isso não significa que a pera, sozinha, seja capaz de eliminar a gordura abdominal, mas reforça o interesse em incluí-la dentro de um padrão alimentar saudável.

Maçã: a casca também merece atenção

A maçã é uma das frutas mais simples de incorporar ao dia a dia e também aparece entre as escolhas da endocrinologista Geetika Arora.

Um dos seus destaques é a pectina, uma fibra solúvel que pode retardar o esvaziamento do estômago e a absorção da glicose. A fruta também contém polifenóis e apresenta índice glicêmico relativamente baixo.

Outro ponto importante é a forma de consumo. Comer a maçã inteira costuma ser uma escolha melhor do que transformá-la em suco, já que o processamento pode reduzir a quantidade de fibras e facilitar o consumo de uma quantidade maior de carboidratos de uma só vez.

Para tornar o lanche mais saciante, a endocrinologista combina a fruta com pasta de amendoim ou de amêndoas, queijo, iogurte natural ou uma preparação com aveia e chia. A mistura de fibras, proteínas e gorduras boas ajuda a segurar a fome por mais tempo.

Afinal, fruta aumenta ou não aumenta a glicose?

Sim, as frutas contêm carboidratos e podem elevar a glicemia. A questão é que isso não significa que tenham o mesmo efeito de um refrigerante, suco adoçado ou doce.

A fruta inteira traz uma matriz alimentar composta por fibras, água e nutrientes que influencia a velocidade de digestão e absorção. Por isso, o tipo de fruta, a porção e a combinação com outros alimentos fazem diferença.

Para quem tem diabetes, pré-diabetes ou precisa controlar a glicemia por alguma razão, também é importante considerar o plano alimentar individual. Não existe uma fruta universalmente "liberada" nem uma quantidade ideal que sirva para todo mundo.

De modo geral, apostar em frutas inteiras, variar as opções e combiná-las com fontes de proteína ou gorduras boas pode ser uma maneira simples de deixar os lanches mais nutritivos e equilibrados. E, entre as escolhas destacadas pelas endocrinologistas, morango e outras frutas vermelhas, banana, pera e maçã mostram que controlar o açúcar no sangue não precisa significar abrir mão do sabor.

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