• Entrar
  • Cadastrar
Reutilizar garrafas não é o problema: a ciência diz que o verdadeiro perigo está na maneira como fazemos isso
JoannaPor  Joanna  | Redatora

Quem a vê assumindo o papel de chef nas viagens com os amigos não imagina que a Joanna descobriu o seu talento com as panelas reproduzindo receitas do Instagram e TikTok. Tornou-se expert em receitas na prática e, agora, também é a grande responsável pelas sobremesas nos almoços em família

O medo dos microplásticos nos levou a considerar se reutilizar uma garrafa de plástico é perigoso. Mas esse não é o pior dos problemas. 

Reutilizar garrafas não é o problema: a ciência diz que o verdadeiro perigo está na maneira como fazemos isso

Descubra até que ponto reutilizar uma garrafa é prejudicial para a saúde humana. (créditos: Shutterstock)

Reutilizar garrafas é um gesto cotidiano muito comum, seja para beber água, suco ou qualquer outra bebida. No entanto, em um momento em que os microplásticos estão cada vez mais presentes no nosso dia a dia, vale a pena se perguntar: será que reutilizar uma garrafa faz mal à nossa saúde?

E não estamos falando apenas das garrafas plásticas compradas no supermercado, mas também das clássicas garrafas térmicas que prometem manter o líquido quente ou frio por horas.

Afinal, a presença do plástico em sua estrutura pode acender um alerta, ainda mais depois de descobrirmos que microplásticos já foram encontrados em lugares como o leite materno, testículos e outras partes do corpo humano. É natural imaginar que, ao usar a mesma garrafa dezenas de vezes, possamos estar ingerindo pequenas quantidades dessas substâncias.

O medo dos microplásticos: eles realmente são uma ameaça?

Aos poucos, começam a surgir mais detalhes sobre os efeitos do consumo de microplásticos na nossa saúde. Isso faz com que a gente precise repensar os recipientes em que armazenamos ou consumimos alimentos, especialmente para nos proteger de possíveis impactos nocivos, como pode ocorrer com algumas garrafas e utensílios plásticos, como os de Tupperware.

A crença popular diz que reutilizar garrafas pode representar um risco significativo por causa do acúmulo de bisfenol A (BPA) e da proliferação de bactérias perigosas quando não são higienizadas todos os dias. No entanto, as evidências científicas atuais contradizem grande parte dessas alegações, ajudando a distinguir entre riscos reais e precauções infundadas.

Diversos estudos já avaliaram a migração de BPA e ftalatos em garrafas reutilizadas em condições reais. Um experimento de 2021, por exemplo, simulou o uso diário de mais de 20 tipos de garrafas e concluiu que não houve detecção de bisfenol A na água armazenada, mesmo após várias semanas de reutilização. Curiosamente, o resultado também se aplicou às garrafas clássicas de alumínio usadas como térmicas.

Outro artigo científico reforça que a liberação de BPA depende do tipo de material, da exposição a altas temperaturas e do desgaste extremo e não simplesmente do ato de reabastecer com água da torneira ou da geladeira. Ou seja, garrafas próprias para alimentos, bem conservadas e não expostas a calor excessivo, não aumentam de forma significativa a exposição ao BPA.

O papel da temperatura na ameaça dos microplásticos

Isso muda completamente quando os líquidos são colocados em altas temperaturas, o que pode favorecer a liberação de microplásticos. Por isso, a temperatura das bebidas armazenadas deve sempre ser levada em consideração, preferindo-se mantê-las na mesma condição em que foram originalmente servidas.

Ainda assim, há opiniões divergentes. O tecnólogo de alimentos Luis Ribera, diretor da consultoria de segurança alimentar Saia, alertou sobre os riscos da reutilização de garrafas descartáveis, em entrevista ao El Confidencial. No entanto, ele destaca que o verdadeiro perigo não está apenas nos compostos químicos, mas nos microrganismos que podem proliferar dentro dessas garrafas quando não são higienizadas adequadamente.

Bactérias: o maior perigo da reutilização de garrafas

Esse também é um tema recorrente, já que diversos microrganismos comuns, como Escherichia coli e Staphylococcus, podem se acumular naturalmente na superfície interna da garrafa. Isso ocorre com mais frequência quando armazenamos bebidas açucaradas, que deixam resíduos nas paredes de plástico e acabam funcionando como um verdadeiro meio de cultura, semelhante a uma placa de Petri.

A chave, nesse caso, está na higiene. Estudos recentes mostram que a limpeza regular com água e sabão é suficiente para manter as garrafas seguras. Nos casos em que altos níveis de bactérias foram detectados, as análises sempre apontaram para a falta de lavagem frequente ou para o uso de recipientes danificados, e não para a simples reutilização racional de garrafas de água, prática comum em casa para evitar o desperdício e o consumo excessivo de plástico.

Reutilizar garrafas é perigoso?

Com base nessas evidências, é possível tirar algumas conclusões claras. A primeira é que não há proibição sanitária para o uso de garrafas reutilizáveis destinadas ao armazenamento de água. A segunda é que os riscos à saúde estão quase sempre ligados a maus hábitos de higiene ou ao desgaste extremo do material. E a terceira é que, se uma garrafa não foi projetada para ser reutilizada várias vezes, é preciso cautela ao fazê-lo.

Portanto, nem a migração de BPA nem o “risco bacteriológico” justificam o descarte imediato de uma garrafa após um único uso, desde que haja uso consciente e limpeza adequada. A ciência, até o momento, apoia o uso responsável de garrafas plásticas, desmontando parte da retórica alarmista em torno da sua reutilização para armazenar água potável.

Veja também: 

Garrafas de plástico não são as mais contaminadas com microplásticos; perigo é maior nas garrafas de vidro, aponta estudo
Sou cardiologista e garanto: "Aquecer alguns recipientes no micro-ondas aumenta a quantidade de microplásticos nos alimentos"

Temas relacionados