Conheça Katie Stagliano, que cultivou um repolho de 18 quilos quando tinha 9 anos, em 2008; a colheita alimentou 275 pessoas e inspirou mais de 100 hortas comunitárias administradas por jovens
Fausto Fagioli FonsecaPor  Fausto Fagioli Fonseca  | Redator

Fausto é jornalista há mais de 15 anos, tendo trabalhado em diversos veículos com foco em saúde, alimentação, bem-estar e atividade física. Admite que não é um grande cozinheiro como as suas avós, mas tem suas receitinhas secretas!

O que começou com uma menina de 9 anos cuidando de uma muda no quintal acabou se transformando em mais de uma centena de hortas conduzidas por jovens

Conheça Katie Stagliano, que cultivou um repolho de 18 quilos quando tinha 9 anos, em 2008; a colheita alimentou 275 pessoas e inspirou mais de 100 hortas comunitárias administradas por jovens

Katie Stagliano continuou envolvida com o Katie's Krops e permaneceu trabalhando na expansão das hortas e das ações de combate à fome (Crédito: Shutterstock)

Um simples trabalho escolar mudou completamente a vida de Katie Stagliano. Em 2008, quando tinha apenas 9 anos e cursava o ensino fundamental na Carolina do Sul, nos Estados Unidos, ela recebeu uma pequena muda de repolho para cultivar como parte de uma atividade da escola.

Katie continuou cuidando da planta em casa e o repolho cresceu até atingir aproximadamente 18 quilos. Diante de uma hortaliça muito maior do que sua família conseguiria consumir, a menina tomou uma decisão que acabaria dando origem a um projeto muito maior: resolveu doá-la.

O enorme repolho foi levado para uma instituição que oferecia refeições a pessoas em situação de vulnerabilidade. Transformado em comida, o vegetal ajudou a alimentar cerca de 275 pessoas. Para Katie, porém, o episódio também plantou outra semente.

Um repolho de 18 quilos deu origem ao Katie's Krops

Katie criança agachada atrás do repolho gigante: Stacy Stagliano / Charleston Magazine

Katie criança agachada atrás do repolho gigante: Stacy Stagliano / Charleston Magazine

A experiência levou à criação do Katie's Krops, projeto sem fins lucrativos voltado para incentivar crianças e adolescentes a cultivarem frutas e hortaliças destinadas a pessoas em situação de insegurança alimentar. A proposta é simples: jovens recebem apoio para criar e cuidar de suas próprias hortas e destinam a produção para bancos de alimentos, cozinhas comunitárias e outras organizações locais.

A escola de Katie, a Pinewood Preparatory School, também cedeu espaço para que ela desenvolvesse uma das primeiras hortas associadas ao projeto. A iniciativa cresceu e deixou de ser uma atividade concentrada apenas em sua cidade. 

Com o passar dos anos, o Katie's Krops chegou a reunir:

  • Mais de 100 hortas administradas por jovens
  • Projetos espalhados por cerca de 33 estados americanos
  • Centenas de milhares de quilos de alimentos frescos cultivados para doação
  • Crianças e adolescentes responsáveis pelo plantio, manutenção e colheita

A própria família de Katie passou a participar da organização, ajudando a transformar aquela primeira experiência doméstica em uma rede de produção de alimentos.

Reprodução / The Starfish Throwers

Reprodução / The Starfish Throwers

Hortas comunitárias podem ir muito além da produção de comida

O projeto também chama atenção para um aspecto interessante das hortas escolares e comunitárias. Cultivar os próprios alimentos pode aproximar crianças de ingredientes que normalmente chegam à mesa já limpos, cortados ou embalados. 

Pesquisas realizadas com programas de hortas escolares já encontraram possíveis benefícios dessa experiência. Uma revisão publicada em 2015 no Journal of School Health, por exemplo, analisou programas realizados nos Estados Unidos e encontrou resultados positivos em parte dos trabalhos relacionados ao consumo de frutas e vegetais pelas crianças.

Katie continuou o projeto depois de crescer

A história não terminou na infância. Katie Stagliano continuou envolvida com o Katie's Krops e permaneceu trabalhando na expansão das hortas e das ações de combate à fome. Ao longo dessa trajetória, também escreveu o livro infantil "Katie's Cabbage", no qual conta a experiência que deu origem ao projeto, e recebeu reconhecimentos pelo trabalho desenvolvido ainda muito jovem.

Mais de uma década depois daquele primeiro cultivo, as ações continuaram. Em 2025, por exemplo, a organização participou da distribuição de alimentos para famílias da Carolina do Sul. Talvez esse seja justamente o detalhe mais curioso da história. O gigantesco repolho de 18 quilos desapareceu em uma única refeição em 2008, mas a ideia surgida daquela colheita continuou produzindo alimentos muitos anos depois.

Nem feira, nem hortifruti: a nova tendência é plantar em casa; saiba como cultivar hortas em vasos

Temas relacionados