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Aos 100 anos, ele ainda cultiva os próprios alimentos e guarda hábitos simples que podem explicar sua longevidade: conheça a história de Carabín
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Amanda LopesPor  Amanda Lopes  | Redatora

Fascinada por MasterChef, culinária nordestina, pratos empanados, receitas rápidas e drinks diferentes, Amanda não abre mão de um bom cafezinho acompanhado de água com gás após o almoço, mesmo nos dias quentes.

Aos 100 anos, Manuel Prada Merayo, conhecido como Carabín, mantém uma rotina que inclui cuidar da própria horta e cultivar alimentos para o dia a dia.

Aos 100 anos, ele ainda cultiva os próprios alimentos e guarda hábitos simples que podem explicar sua longevidade: conheça a história de Carabín

Ele é morador de uma pequena cidade no noroeste da Espanha. (Créditos: Canva)

Manuel Prada Merayo, conhecido como Carabín, tem 100 anos e mantém um hábito que faz parte de sua vida desde a infância: cuidar da terra. Todos os dias, ele vai à horta de aproximadamente 200 metros quadrados em Toral de Merayo, na província de León, no noroeste da Espanha, onde cultiva alimentos como tomates, ervilhas, cebolas, alho-poró e pimentões. Entre as plantações, também cuida de galinhas e gatos, preservando uma rotina que reúne atividade física, contato com a natureza e alimentação baseada em produtos locais.

A história do centenário chama a atenção em uma região que busca se tornar uma das chamadas Zonas Azuis, locais conhecidos pela concentração de pessoas que vivem por muitos anos. A iniciativa faz parte do projeto Bierzo2030, ligado ao Conselho Regional de El Bierzo, que pretende valorizar hábitos e condições de vida associados à longevidade. Embora não exista uma fórmula única para chegar aos 100 anos, a trajetória de Carabín reúne características frequentemente relacionadas ao envelhecimento saudável, como movimento diário, vínculos sociais e participação na comunidade.

Uma vida inteira ligada à terra e à atividade física

O trabalho na horta não começou como uma estratégia para envelhecer melhor. Desde pequeno, Manuel esteve envolvido com atividades rurais, como o cultivo da terra, o cuidado com o gado e a manutenção de vinhedos e macieiras. Mais tarde, administrou um bar e uma loja de ferragens na cidade onde nasceu, mantendo contato próximo com os moradores.

Hoje, mesmo enfrentando dificuldades de audição e visão e convivendo com artrite no joelho, ele continua cuidando das plantações. Sua rotina mostra como tarefas cotidianas, como caminhar, plantar, colher e cuidar dos animais, podem manter uma pessoa em movimento sem depender necessariamente de exercícios estruturados.

Outro aspecto marcante é sua busca por independência. Carabín dirigiu até os 95 anos e ainda brinca com a possibilidade de comprar um veículo que dispense carteira de habilitação. Para ele, dirigir representa liberdade e a possibilidade de ir aonde quiser. A autonomia continua sendo um valor importante em sua vida, mesmo com as limitações naturais da idade.

Horta, ovos frescos e comida preparada em casa

A alimentação também ocupa um lugar importante na rotina do centenário. Sua mesa é marcada por vegetais cultivados na própria horta, produtos da estação e refeições caseiras. As galinhas fornecem ovos, enquanto as plantações ajudam a abastecer a cozinha.

Manuel continua participando do preparo das refeições ao orientar quem as prepara de acordo com suas lembranças e preferências. Ele também guarda memórias de uma época em que o pão de centeio era feito em casa e os alimentos vinham principalmente da produção familiar, das trocas entre vizinhos e dos pequenos comércios locais.

Essa relação com a comida reflete a tradição agrícola de El Bierzo, região espanhola conhecida por suas hortas, pomares e vinhedos. No caso de Carabín, cultivar alimentos não é apenas uma lembrança do passado, mas uma atividade que ainda organiza parte de seus dias.

Sua história inspira uma região que busca valorizar práticas associadas à longevidade e ao envelhecimento saudável. (Créditos: Canva)

Sua história inspira uma região que busca valorizar práticas associadas à longevidade e ao envelhecimento saudável. (Créditos: Canva)

Família, vizinhos e participação na comunidade

A longevidade de Manuel não pode ser analisada apenas pela alimentação e pela atividade física. Seus vínculos familiares e comunitários também fazem parte de sua história. Ele vive com a irmã, Pilar, que acolheu em sua casa depois que ela ficou viúva. Além disso, recebe o apoio de Ana, uma vizinha de longa data, e de Leidy, que o auxilia nos cuidados diários.

Ao longo da vida, Carabín também desempenhou um papel importante na comunidade. Durante oito anos, foi representante local de Toral de Merayo. Seu bar e sua loja de ferragens eram pontos de encontro dos moradores, que apareciam para conversar, jogar cartas, tomar vinho ou comprar itens necessários para o dia a dia.

O que a história de Carabín ensina sobre longevidade?

O projeto Bierzo2030 busca transformar histórias como a de Manuel em inspiração para uma estratégia regional voltada ao envelhecimento saudável. A proposta é observar não apenas quantas pessoas chegam aos 100 anos, mas também quais condições ajudam os idosos a preservar a autonomia, os vínculos afetivos e a participação na sociedade.

No caso de Carabín, a vida reúne alimentação com produtos locais, atividade física incorporada à rotina, contato com a natureza, leitura, interesses culturais e relações próximas com familiares e vizinhos. Esses elementos não garantem que alguém alcance uma idade avançada, mas mostram como hábitos cotidianos e um ambiente social acolhedor podem fazer parte de uma vida ativa na velhice.

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