Irmãs centenárias contam como a alimentação natural fez diferença na vida deles (Créditos: Canva)
Muitas pessoas no mundo estão sempre questionando qual é o segredo para viver mais de um século, e parece que um trio de irmãs brasileiras centenárias podem ter a resposta. Para Zoraide de Deus Mota, de 104 anos, é simples: “Não existe segredo. Tem que viver tranquilo, não fazer mal a ninguém e pensar no dia de amanhã.”
A irmã dela, Zulina de Deus Nunes, de 103 anos, resume a questão de outra forma: “O segredo é saber viver.” Já Levita de Deus Nunes acaba de completar 109 anos. Juntas, as três somam 316 anos e foram reconhecidas pela LongeviQuest como o trio de irmãos vivos mais longevo do mundo.
Nascidas em Cedro de São João, no interior de Sergipe, elas cresceram em uma família de oito irmãos. Hoje, vivem na Zona Norte do Rio de Janeiro, cercadas por filhos, netos, bisnetos e tataranetos.
Alimentação natural e rotina ativa fazem parte da história
As irmãs não acreditam em fórmulas especiais para viver mais. Entre os hábitos lembrados pela família estão a alimentação simples, o trabalho, a convivência familiar e uma rotina sem excessos.
Na infância, boa parte dos alimentos vinha do quintal de casa. O pai criava vacas e cabras, enquanto frutas, verduras e legumes eram cultivados pela família. O milho do cuscuz era ralado manualmente.
“A gente sentia o gosto do cuscuz do milho, hoje não sente gosto de nada”, contou Zulina.
Ângela, filha de Zoraide, acredita que esses costumes fizeram diferença. “Elas cresceram com uma alimentação muito natural. Hoje a gente come muita coisa industrializada, muita coisa processada”, afirmou.
A genética também chama a atenção: a mãe das três, Jovelina de Deus Nunes, viveu até os 100 anos. Mesmo assim, os familiares destacam que a educação recebida e os hábitos construídos ao longo da vida também podem ter contribuído para a longevidade.
Amizades, leitura e convivência familiar continuam presentes
Mesmo com mais de um século de vida, as irmãs mantêm interesses e atividades. Zulina gosta de cozinhar e acompanhar a rotina dos parentes. Levita continua lendo, enquanto Zoraide compartilha histórias da juventude e da criação dos filhos.
Jogos de buraco, palavras cruzadas, visitas e encontros com amigos também fazem parte do cotidiano. “Até hoje ela se encontra, ela tem amizade”, contou Lucas Guerra, bisneto de Zoraide.
A fé é outro ponto em comum. Quando perguntada sobre sua longevidade, Levita respondeu: “É graça de Deus.”
Como a idade das irmãs foi comprovada?
A LongeviQuest conheceu a história da família após uma homenagem aos 108 anos de Levita ser compartilhada nas redes sociais. A organização analisou documentos de diferentes fases da vida das irmãs, incluindo certidões de nascimento, batismo e casamento, além de carteira de trabalho e documentos atuais. A validação foi conduzida pelos pesquisadores responsáveis pelo Brasil, Iara Souza e Gabriel Ainsworth.
Para filhos, netos e bisnetos, a longevidade das irmãs é motivo de orgulho. Eles destacam a genética, os hábitos e a união familiar, com parentes presentes na rotina e nos cuidados necessários. Entre as gerações mais jovens, a esperança de chegar aos 100 anos vem acompanhada de outro desejo: envelhecer com saúde e autonomia.