Fernando Lemos, médico: "Existe uma forma de consumir o aipim que pode causar intoxicação grave, casos de internação de emergência já foram relatados"
Por  Fausto Fagioli Fonseca  | Redator

Fausto é jornalista há mais de 15 anos, tendo trabalhado em diversos veículos com foco em saúde, alimentação, bem-estar e atividade física. Admite que não é um grande cozinheiro como as suas avós, mas tem suas receitinhas secretas!

O aipim pode ser um ótimo alimento, mas precisa ser bem cozido!

O risco está em tratar um alimento natural como se ele fosse automaticamente seguro... (Crédito: Shutterstock)

Aipim, mandioca ou macaxeira é um dos alimentos mais presentes na mesa brasileira. Mas existe um detalhe no preparo que muita gente ignora e que pode transformar esse tubérculo nutritivo em risco real para a saúde...

Em vídeo publicado em seu canal, o médico Fernando Lemos faz um alerta direto: "Existe uma forma de consumir o aipim que pode causar intoxicação grave. Casos de internação de emergência já foram relatados por causa disso".

O problema, segundo ele, não está no aipim bem cozido, mas no consumo cru, mal preparado ou feito sem entender a diferença entre os tipos de mandioca... 

Aipim é nutritivo, mas precisa ser preparado do jeito certo

Antes do alerta, o médico reforça que a mandioca é um alimento valioso. Ela é fonte de carboidratos complexos, ajuda a fornecer energia de forma gradual e ainda contém fibras alimentares, além de minerais como potássio, magnésio e manganês. Também tem pequenas quantidades de vitamina C e vitaminas do complexo B.

Um ponto interessante citado por Fernando Lemos é o efeito do aipim depois de cozido e resfriado. Nessa condição, parte do amido se transforma em amido resistente. "Ele é literalmente o alimento preferido das bactérias benéficas do seu intestino", fala o especialista.

Na prática, isso ajuda a explicar por que o aipim pode ser interessante para a microbiota intestinal quando entra na alimentação com equilíbrio. O médico também relaciona esse cuidado ao chamado eixo cérebro-intestino, já que o intestino tem papel importante na produção de substâncias ligadas ao bem-estar.

Por que aipim cru pode ser perigoso

A mandioca contém compostos naturais chamados glicosídeos cianogênicos. Quando a raiz é cortada, triturada ou mastigada, esses compostos podem liberar pequenas quantidades de cianeto. Por isso, consumir mandioca crua ou mal cozida pode ser perigoso.

Fernando Lemos é categórico nesse ponto: "A mandioca nunca deve ser consumida crua, mas nunca mesmo". Ele cita inclusive receitas em que o aipim aparece ralado cru, como se fosse uma opção natural ou saudável, e orienta não consumir esse tipo de preparo.

O cozimento adequado reduz praticamente todo esse risco porque o calor ajuda a degradar essas substâncias tóxicas. Ou seja: não adianta o aipim parecer bonito, fresco e de boa qualidade. Se estiver cru ou mal preparado, ele pode oferecer perigo.

Quanto aipim comer por dia

Segundo Fernando Lemos, para quem não tem contraindicação, uma porção razoável costuma ficar entre 100 e 200 gramas de aipim cozido por refeição. Isso equivale, em média, a um ou dois pedaços médios ou grandes.

Pessoas fisicamente ativas podem consumir quantidades maiores dentro de uma alimentação equilibrada. O médico cita algo entre 250 e 300 gramas por dia, desde que o restante da dieta também esteja bem ajustado.

O jeito de cozinhar faz diferença

Além de nunca consumir cru, o médico dá uma dica para preservar melhor os nutrientes. Segundo ele, muita gente cozinha o aipim em grande quantidade de água e depois descarta todo o líquido. O problema é que parte dos minerais e vitaminas hidrossolúveis pode ir embora junto com essa água.

"Uma forma simples de preservar melhor esses nutrientes é cozinhar o aipim no vapor ou utilizar uma panela com a menor quantidade possível de água, mantendo a tampa fechada durante todo o cozimento".

Outra orientação é adicionar algumas gotas de limão à água do cozimento. De acordo com Fernando Lemos, isso ajuda a reduzir a oxidação de alguns nutrientes e contribui para manter melhor a qualidade do alimento.

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