A tecnóloga de alimentos Angeles Romero questiona crenças populares sobre nutrição e explica que nem todo hábito repetido é realmente saudável.
A alimentação tem impacto direto na saúde, no bem-estar e até na forma como o organismo responde às demandas do dia a dia. Foi com esse olhar que Angeles Romero Rodríguez, professora de Tecnologia de Alimentos da Universidade de Santiago de Compostela, falou em entrevista ao programa Lavozdelasalud sobre mudanças nos hábitos alimentares, mitos persistentes e o custo de manter uma dieta equilibrada.
Mudanças na alimentação e retorno aos padrões saudáveis
Ao analisar como a alimentação da população galega mudou nas últimas décadas, Romero apontou um cenário de desequilíbrio. Segundo ela, houve aumento do consumo de proteína animal, ao mesmo tempo em que alimentos como vegetais, frutas e leguminosas perderam espaço. Outro fator que ganhou força foi a presença cada vez maior dos ultraprocessados.
“A importância de recuperar modelos tradicionais de alimentação saudável” é uma das ideias centrais defendidas por Romero. Na avaliação dela, a solução não está em uma única mudança, mas em ações em diferentes níveis. Entre as propostas, ela destaca o modelo do prato saudável, no qual metade da refeição é composta por vegetais e frutas, um quarto por proteínas saudáveis e o restante por grãos integrais.
Os mitos que ainda confundem o consumidor
Durante a entrevista, Romero também chamou atenção para crenças populares que seguem muito presentes no dia a dia. Entre elas, está a ideia de que os ovos aumentam o colesterol e, por isso, não deveriam ser consumidos com frequência. Outra crença bastante repetida é a de que é obrigatório tomar café da manhã todos os dias porque essa seria “a refeição mais importante”.
A professora foi direta ao contestar essa noção. Segundo ela, “a ideia de que tomar café da manhã todos os dias é a refeição mais importante não tem respaldo científico”. Para Romero, esse tipo de afirmação costuma simplificar demais a nutrição e desconsiderar aspectos fundamentais, como a quantidade consumida, a qualidade nutricional dos alimentos e o padrão alimentar como um todo. Na prática, o que realmente importa é a organização global da dieta, e não uma regra isolada.
Comer bem sem gastar mais no supermercado
Outro ponto abordado pela especialista foi o preço dos alimentos. Romero afirmou que é possível comer de forma saudável sem comprometer demais o orçamento. Para ela, o segredo está no planejamento das compras e na escolha de alimentos básicos, acessíveis e versáteis.
“Leguminosas não são caras. Arroz, ovos, verduras, frutas da estação”, destacou. Com ingredientes simples, é possível preparar mais refeições em casa, reduzir o consumo de ultraprocessados e ainda organizar melhor os gastos da semana. A tecnóloga reforça que o planejamento ajuda a evitar compras por impulso e favorece escolhas mais nutritivas.
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