Saquinhos de doces são tradição no dia de Cosme e Damião.
Pipoca, maria-mole, pé-de-moleque, doce de abóbora, balas e chicletes. Além de doces bastante brasileiros, essas guloseimas têm outra característica em comum: muitas vezes são encontrados juntos nos saquinhos de São Cosme e Damião, distribuídos no dia 27 de setembro para as crianças.
Embora essa seja uma tradição em todo o país, nem todo mundo conhece a fundo a história e, principalmente, como os doces foram associados aos santos. Com a aproximação do dia de São Cosme e Damião, TudoGostoso conta os detalhes dessa doce história. Confira!
Quem foram Cosme e Damião?
Tudo começa na cidade de Egéia, na Arábia, que hoje faz parte da moderna Síria, no século III d.C., onde nasceram os irmãos, que suspeita-se que eram gêmeos, e faziam parte de uma família cristã. Eles estudaram medicina e eram conhecidos por seu trabalho de cura e, principalmente, por tratar os doentes sem cobrar pelos serviços.
Além das habilidades médicas, a dupla também utilizavam da fé cristã e das orações para cuidar dos enfermos. Durante a perseguição aos cristãos sob o reinado do imperador Diocleciano, Cosme e Damião foram presos e submetidos a torturas, mas não renunciaram à sua fé. Eles foram decapitados por se recusarem a fazer sacrifícios aos deuses pagãos, por volta do ano 287 d.C.
Por conta da profissão que exerciam, eles são conhecidos como os padroeiros dos médicos, cirurgiões e farmacêuticos, mas também são reverenciados como os protetores das crianças e é aí que a história dos saquinhos de doces começa a surgir.
Saquinho de doces: um produto do sincretismo no Brasil
Não existe uma única história que explica a relação entre os santos e os doces. Uma das teorias diz que os médicos faziam caridade e tratavam gratuitamente os enfermos e, no caso das crianças, também as davam balas e doces para amenizar a dor. No entanto, no catolicismo não há nenhuma relação direta entre São Cosme e São Damião com os doces ou com as crianças, mas uma forte influência africana poderia justificar as guloseimas.
É que na época da escravidão do Brasil, existia dura repressão aos cultos africanos e, por isso, os escravos adoravam suas divindades vinculando-as às imagens católicas. Por isso, Cosme e Damião seriam a representação dos orixás da umbanda e do candomblé: os Ibejis, filhos gêmeos de Xangô e Iansã, que são símbolos da alegria e inocência infantis.
Por isso, em razão do sincretismo religioso no país, os orixás passaram a ser adorados por meio dos santos católicos, sendo importante dizer que, no entanto, tratam-se de figuras distintas.
Apesar dos anos, a tradição se mantém viva no Brasil, inclusive com a prática de distribuir saquinhos de doces durante a festa de São Cosme e Damião. Em algumas regiões é possível encontrar crianças que se vestem como os santos católicos nesta data. Em outras, são as igrejas e paróquias que se organizam para distribuir doces para a comunidade. Também é muito comum encontrar pessoas dando doces para as crianças que circulam pela vizinhança em busca de gostosuras.
Dia de São Cosme e Damião: 26 ou 27 de setembro?
Em 1969, a Igreja Católica modificou a data de celebração de São Cosme e São Damião para o dia 26 de setembro, a fim de evitar conflitos com a festa dedicada a São Vicente de Paula. No entanto, apesar dessa mudança oficial, a maioria das pessoas ainda comemora a data em 27 de setembro.
A distribuição de doces, no entanto, pode se estender por mais tempo. É que muitas pessoas prologam a entrega de guloseimas até o dia das crianças, comemorado em 12 de outubro. Então, dependendo da região, é possível ter suas semanas inteiras de doçuras.
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