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Por que Paraty tem um festival de cachaça há 40 anos? Pinga também é cultura!

Festival tradicional em Paraty existe há 40 anos e foi criado para valorizar o produto e seu produtor

Festival mobiliza moradores locais em prol da valorização da cachaça de Paraty. (Crédito: Ricardo Gaspar / Divulgação)

Pinga, aguardente, "cana" ou puramente cachaça. Não importa como você chama a bebida. O fato é que ela é muito apreciada e tem até uma festa dedicada a ela na cidade fluminense de Paraty, local muito conhecido por causa das praias belíssimas, ruas de paralelepípedo e do festival literário.

Mas o Festival da Cachaça, Cultura e Sabores, em sua 41º edição, antes batizado como Festival da Pinga, é também uma tradição da cidade. Ainda que a celebração dê a entender que é hora de beber como se não houvesse amanhã, o evento tem um papel muito maior: celebrar a nobreza e a tradição da cachaça paratiense.

A cachaça em Paraty

Os principais estudos sobre o início da produção de cachaça em Paraty apontam que a relação da bebida com a cidade é muito antiga, dos anos 1600. Por isso, o local se tornou a mais importante região produtora de pinga no Brasil Colônia. A qualidade era tanta que todos queriam beber a cachaça de Paraty. Até por isso ela era mais cara que as demais.

No auge da produção de cachaça, Paraty chegou a ter mais de 100 alambiques de aguardente em funcionamento. Atualmente, são 6 que mantêm a produção de forma artesanal e até permitem a visitação do público.

É por essas e outras que a cachaça artesanal de Paraty se tornou um dos pilares de grande importância para o local, que atualmente integra a Rede de Cidades Criativas pela Gastronomia da Unesco.

História do Festival da Cachaça de Paraty

Cachaça é apreciada em Paraty desde 1600. No Brasil Colônia, a bebida de lá era a mais disputada. (Crédito: Shutterstock)

O evento anual teve sua primeira edição em 1983, sob o nome oficial de Festival da Pinga e Produtos Típicos de Paraty. A ideia surgiu durante uma reunião dos alambiqueiros associados na Acip (Associação Comercial e Industrial de Paraty).

Naquele encontro, destacaram-se como idealizadores os produtores Eduardo José Mello, o Eduardinho; Anibal Luiz Gama e Douglas Reid. O trio era responsável por produzir as cachaças Coqueiro, Corisco e Maré Alta, e queria fazer do evento uma forma de impulsionar o setor e fortalecer o comércio local.

O resultado no ano de estreia foi uma festa de impacto para os moradores de Paraty nos dias 27 e 28 de agosto. Aproveitando a ocasião, os produtores locais não perderam a chance de desenvolver ainda mais a cultura da cachaça e chegaram a fazer um manifesto, solicitando isenção de impostos. Era o início de uma tradição que já dura 40 anos e hoje também atrai turistas para a cidade, mesmo em um período de baixa estação.

Gastronomia de Paraty: tradição além da cachaça

Os "bebes" eram os grandes protagonistas da festa, mas os comes de Paraty também tinham desde então o seu lugar. Havia caldinho de feijão com pimenta, manuê de bacia (bolo à base de melado de cana), camarão casadinho (dupla de camarões recheados com farofa e conectados com palitos) e produtos da roça. Hoje, todos os pratos seguem como tradição.

Símbolos do Festival da Pinga

É possível visitar alguns alambiques de Paraty até hoje. (Crédito: Ricardo Gaspar / Divulgação)

Já no primeiro ano, as tradicionais canecas de cerâmica marcaram presença nas mãos dos apreciadores da bebida. Outro item que também roubou a cena no festival de estreia foi o lançamento do livro "Bem Aventurados os Bêbados", de autoria do poeta e jornalista Dailor Varela.

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