Os pesquisadores acreditam que o novo produto pode ajudar a ampliar o acesso a uma alimentação mais equilibrada (Crédito: Shutterstock)
Uma nova pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em parceria com o Instituto Fraunhofer IVV, da Alemanha, pode transformar a forma como o mundo consome proteína.
Os cientistas desenvolveram um substituto da carne feito a partir da semente de girassol, um ingrediente simples, acessível e amplamente cultivado no Brasil.
O resultado surpreendeu: o alimento vegetal alcançou altos índices nutricionais e sabor semelhante ao da carne tradicional.
Um passo adiante na busca por proteínas sustentáveis
A pesquisa surgiu de uma demanda crescente por fontes alternativas de proteína, impulsionada tanto por questões ambientais quanto de saúde.
De acordo com os pesquisadores, o girassol se mostrou uma opção promissora porque já é cultivado em larga escala para produção de óleo e não é geneticamente modificado, uma característica valorizada por quem busca alimentos mais naturais.
Durante o processo de desenvolvimento, o óleo e a casca escura da semente foram removidos. O interior foi então moído até formar uma farinha refinada, que serviu como base para a criação de diferentes tipos de “carne vegetal”.
Entre os testes, os cientistas compararam duas versões: uma feita com farinha de girassol torrada e outra com proteína texturizada derivada da semente. Os resultados mostraram que a versão com proteína texturizada apresentou melhor consistência e textura, além de um perfil nutricional impressionante.
Sabor e nutrição aprovados pelos especialistas
Além de nutritivo, o novo alimento vegetal também passou no teste do paladar. Segundo os responsáveis pelo projeto, os protótipos alcançaram sabor agradável e textura que lembra carnes magras, o que torna o produto promissor para o mercado de alimentos vegetarianos e veganos.
O estudo também destacou o potencial do girassol para reduzir o impacto ambiental da cadeia alimentícia. Diferente da produção de carne bovina, a plantação de girassol demanda menos recursos hídricos e tem pegada de carbono significativamente menor.
Um alimento versátil e fácil de produzir
Outro ponto forte da descoberta é a versatilidade. A farinha de girassol refinada pode ser usada em diversas preparações culinárias, desde hambúrgueres e almôndegas vegetais até molhos e recheios. Por ter sabor neutro, o ingrediente absorve bem temperos, o que facilita sua adaptação a diferentes receitas.
Além disso, o processo de obtenção é relativamente simples: basta remover o óleo da semente, secar o resíduo e moer até formar a farinha. Isso significa que a produção em escala industrial poderia ser implantada rapidamente, aproveitando a infraestrutura já existente para o beneficiamento do girassol.
O futuro da proteína pode estar em uma semente comum
O interesse por alternativas vegetais à carne cresce a cada ano. Segundo estimativas da Bloomberg Intelligence, o mercado global de proteínas vegetais deve ultrapassar US$ 160 bilhões até 2030.
Inovações como a da Unicamp colocam o Brasil em posição estratégica nesse cenário, já que o país é um dos maiores produtores de girassol do mundo e tem condições ideais de cultivo em diversas regiões.
Os pesquisadores acreditam que, além do aspecto econômico, o novo produto pode ajudar a ampliar o acesso a uma alimentação mais equilibrada, especialmente entre famílias que buscam opções de proteína de baixo custo.
A semente de girassol, geralmente associada a petiscos e granolas, agora desponta como um potencial “superalimento”, rico em nutrientes e sustentável.
Mais do que uma tendência: um novo caminho para o prato do futuro
A descoberta reforça que soluções simples podem ter grande impacto na alimentação e na sustentabilidade global. O girassol, antes limitado ao óleo de cozinha e aos mix de sementes, agora ganha protagonismo como uma alternativa barata, nutritiva e ecológica à carne.
Se a inovação chegar ao mercado, o futuro da alimentação pode estar mais perto — e mais acessível — do que se imagina.
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