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A crise demográfica no Japão leva o McDonald’s a uma medida inusitada: trabalhar com cabelo azul não será mais um problema
Paula AraripePor  Paula Araripe  | Redatora

Paula é jornalista, escritora e fã de carteirinha das competições de gastronomia da TV. Não consegue viver sem pão de queijo, é adepta das receitas simples e bem-feitas, e adora presentear as pessoas com biscoitos caseiros.

Sim, você ouviu direito. Agora você pode se candidatar como funcionário de um McDonald's sem restrições de estilo de cabelo (ou de barba)

A crise demográfica no Japão leva o McDonald’s a uma medida inusitada: trabalhar com cabelo azul não será mais um problema

Uma decisão inusitada pode ser a solução para um problema antigo no Japão (Créditos: Shutterstock/Raihana Asral)

Os trabalhadores no Japão são escassos e os que existem vivem imersos num modelo de trabalho que acabou criando um problema difícil de resolver. Num país onde existe uma palavra para descrever as mortes devido ao excesso de trabalho ou onde os trabalhadores recorrem a ajuda para saírem dos seus empregos, alguns empregadores estão tentados a fazer todos os tipos de truques para inverter a situação. E o McDonald’s tem sido mais criativo na procura de pessoas: a cor do cabelo não será mais um impedimento.

As restrições de cabelos coloridos no trabalho

A notícia pode ser chocante fora do país, mas não tanto dentro dele. A filial da gigante dos hambúrgueres no Japão anunciou que suspenderá as restrições à cor de cabelo dos funcionários. Não é uma mudança sem motivo e sim uma esperança de melhorar o ambiente de trabalho e atrair mais trabalhadores em meio à escassez de mão de obra.

Sim, até agora, a unidade japonesa da rede de fast-food exigia que a cor do cabelo dos funcionários parecesse “natural”. Embora chocante, faz parte da cultura japonesa em muitos ambientes de trabalho. Lá, as regras relativas à aparência física no local de trabalho, principalmente em relação aos cabelos, podem ser bastante rígidas e tradicionais em muitas empresas.

A cor de cabelo já é um impeditivo de trabalho para muitas pessoas no Brasil dependendo da área, e no Japão a situação é mais séria. Em geral, espera-se que os funcionários mantenham uma aparência elegante e conservadora, refletindo profissionalismo e respeito pela organização. Mas os sinais, como a recente decisão para funcionários do McDonald's, mostram que a situação pode estar mudando. 

As regras de padrões de cabelo

No caso dos homens, geralmente é exigido ou recomendado que tenham cabelos curtos, bem penteados e sem estilos extravagantes, enquanto as mulheres costumam ser incentivadas a usar penteados simples, sem cores chamativas ou cortes fora do normal. Em alguns setores mais tradicionais, como o financeiro ou as grandes empresas, as expectativas são ainda mais rigorosas.

Por exemplo, cabelos tingidos, especialmente em cores não naturais como vermelho, azul ou similares, podem ser altamente desaprovados, e alguns lugares podem exigir que os funcionários usem sua cor natural de cabelo, como era o caso do McDonald’s até recentemente. Dito isto, em ambientes e empresas de tecnologia mais modernas, essas regras costumam ser muito mais flexíveis.

A nova política do McDonald's

É claro que tudo é suscetível de mudar se a economia não estiver boa. A crise laboral que o Japão atravessa exige medidas diferentes. Consequentemente, o McDonald's do país revisou sua política de aparência para “permitir maior diversidade”.

A nova política começou com um modelo experimental em um estabelecimento de Osaka e teve um impacto positivo, com o restaurante reportando um crescimento de três vezes no número de novos funcionários em abril em comparação com o ano anterior. A medida é a segunda mudança na política de aparência da rede de fast-food nos últimos anos, depois que, em agosto de 2021, passou a permitir que os funcionários deixem a barba crescer, o que antes era impensável, considerando diversos motivos na equação, inclusive a religião.

A norma do cabelo é apenas a ponta do iceberg. A mudança de regras esconde um problema maior: o Japão enfrenta um grave problema de escassez de mão-de-obra devido ao envelhecimento demográfico e à baixa taxa de natalidade. Além disso, a força de trabalho está diminuindo rapidamente conforme envelhecem e saem do mercado de trabalho sem ter jovens o suficiente para substituí-la.

De acordo com as estimativas atuais, mais de 28% da população japonesa tem mais de 65 anos, e isso aumentou a pressão para o país que procura soluções para um declínio de trabalhadores que não para em setores-chave como a indústria da manufatura, a construção civil ou os cuidados a idosos, onde a procura para os trabalhadores é maior do que a oferta disponível.

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