Entenda como o processo de congelamento pode favorecer a forma que nosso organismo digere os carboidratos do pãozinho de sempre
O pão está presente em muitos momentos do dia – no café da manhã, no lanche da tarde e até em refeições rápidas. Mas o que muita gente não imagina é que uma prática simples pode mudar a forma como o organismo reage a ele, tornando-o mais “amigável” para nossa saúde.
De acordo com especialistas em saúde digestiva, o simples hábito de congelar o pão e depois aquecer as fatias antes de consumi-lo pode alterar a estrutura do amido presente no alimento. Desta forma, ele tende a provocar menos impacto na glicose e ainda pode beneficiar o intestino.
O que acontece com o pão depois de congelado?
Segundo gastroenterologistas e nutricionistas, quando o pão é congelado e posteriormente aquecido, parte do amido sofre uma transformação e se torna o chamado “amido resistente”. Na prática, isso significa que ele passa a ser digerido mais lentamente pelo organismo.
Esse tipo de amido funciona de maneira parecida com uma fibra prebiótica, ajudando na saúde da microbiota intestinal e promovendo uma digestão mais equilibrada. Além disso, o corpo absorve os carboidratos de forma mais gradual, o que pode ajudar a reduzir picos rápidos de açúcar no sangue após a refeição.
O pão congelado realmente fica mais saudável?
Apesar de parecer uma dica inusitada, especialistas afirmam que o pão congelado pode ser, sim, mais saudável do que o pão consumido logo após sair da embalagem. E essa mudança acontece porque o resfriamento altera a estrutura dos carboidratos.
A gastroenterologista Karen Alarcón (@drakarenalarcon) comentou nas redes sociais que esse hábito pode deixar o pão “até 10 vezes mais saudável”, justamente pelo aumento do amido resistente após o congelamento e reaquecimento.
Embora essa proporção de benefícios ainda gere debates científicos, estudos já apontam vantagens reais associadas à prática. Uma pesquisa publicada no European Journal of Clinical Nutrition observou que pães congelados e tostados provocaram resposta glicêmica menor do que pães consumidos frescos.
Os pesquisadores destacam, porém, que ainda são necessárias mais pesquisas para entender como diferentes tipos de pão reagem ao processo.
O aquecimento também faz diferença
Aqui vale destacar que não basta apenas congelar o pão para torná-lo mais saudável: aquecê-lo novamente parece potencializar parte dessas alterações no amido. Por isso, a dica é colocar as fatias congeladas diretamente na torradeira, na frigideira ou até no forno.
Além de melhorar a textura, devolvendo a crocância e o sabor ao pão, o reaquecimento pode facilitar a digestão para algumas pessoas, reduzindo desconfortos abdominais e sensação de estufamento.
Como congelar pão do jeito certo
Para preservar ao máximo as características do pão, o ideal é congelá-lo o mais fresco possível, de preferência no mesmo dia da compra. Também é mais indicado já congelar o pão fatiado, justamente para retirar apenas a quantidade que vai consumir no momento. Veja algumas dicas extras:
- Use sacos com fechamento hermético ou plástico-filme bem embalado;
- Retire o máximo de ar da embalagem;
- Identifique a data do congelamento;
- Evite deixar o pão exposto ao gelo do freezer.
Em geral, o pão pode ficar congelado por até três meses sem grandes perdas de qualidade.
E tem mais um detalhe: ao congelar (e comer) pão, prefira versões com perfil nutricional mais interessante, como pães integrais e pães de fermentação natural. Já os pães ultraprocessados e ricos em açúcar ou gordura continuam exigindo moderação, mesmo após congelados.
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