Pular o lanche nem sempre é a melhor estratégia e, em alguns casos, pode até aumentar a fome ao longo do dia.
Existe um horário certo para comer? Afinal, é melhor fazer refeições a cada três horas, apostar no jejum intermitente ou simplesmente esperar a fome aparecer? A resposta não é tão simples e depende de fatores como rotina, necessidades nutricionais e estado de saúde.
Embora não exista uma regra única que funcione para todo mundo, especialistas alertam que passar muitas horas sem comer pode não ser uma boa ideia para algumas pessoas, principalmente para quem convive com transtornos alimentares, como anorexia, bulimia ou compulsão alimentar.
Ficar muito tempo sem comer pode ter o efeito contrário
Segundo a psiquiatra Yekaterina Shakhova, pessoas com transtornos alimentares costumam se beneficiar de uma rotina alimentar mais estruturada.
"Quando o mundo interior está caótico, a rotina exterior torna-se uma tábua de salvação.", afirma a especialista em entrevista ao site Medicina.az.
Ela explica que muitas tendências populares, como o jejum intermitente, a chamada "janela alimentar" e a ideia de evitar lanches para "não estragar o apetite", nem sempre são as melhores escolhas para esse público.
Na prática, o problema acontece quando a pessoa ignora os sinais naturais de fome. Um exemplo comum é almoçar e, duas horas depois, sentir o estômago roncar. “Mesmo assim, ela decide não comer porque pretende esperar mais algumas horas até a próxima refeição”.
A psiquiatra explica que, quando finalmente chega a hora de comer, a fome está muito maior e fica mais difícil controlar a quantidade de alimentos consumidos.
Então, qual é o intervalo ideal entre as refeições?
Para a maioria das pessoas saudáveis, não existe um número exato de horas que funcione para todos. O mais importante é respeitar os sinais de fome e saciedade, além de manter uma alimentação equilibrada ao longo do dia.
“Se a fome aparecer entre as principais refeições, um lanche saudável pode ser uma boa opção”, comenta a psiquiatra. Em vez de resistir até ficar com muita fome, a recomendação da especialista é fazer uma pequena refeição, ajustando a quantidade conforme a necessidade.
Essa estratégia ajuda a chegar ao almoço ou ao jantar com mais controle sobre o apetite, reduzindo o risco de exageros.
Jejum intermitente não é indicado para todo mundo
O jejum intermitente ganhou popularidade nos últimos anos, mas Shakhova destaca que ele não deve ser adotado por pessoas com transtornos alimentares.
Segundo a psiquiatra, quem tem histórico de anorexia, bulimia ou transtorno da compulsão alimentar deve evitar esse tipo de estratégia, já que períodos prolongados sem comer podem favorecer episódios de compulsão e dificultar a construção de uma relação saudável com a comida.
Por isso, antes de fazer mudanças importantes na rotina alimentar, o ideal é buscar orientação de um médico ou nutricionista. Esses profissionais podem indicar o plano mais adequado para cada caso, levando em consideração o histórico de saúde, os objetivos e as necessidades individuais.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Sempre procure orientação especializada antes de alterar sua alimentação.
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